Em que pé estão as cinco principais promessas de Trump?

Maya Shwayder (fc)

Ímpeto e retórica do novo presidente davam a entender que ele logo poria em prática promessas polêmicas, como acabar com o Obamacare e construir um muro na fronteira com o México. Realidade se mostrou mais complicada.O candidato Donald Trump foi claro na retórica e generoso nas promessas: o muro na fronteira com o México seria construído e seria "bonito"; o Obamacare era um "desastre" que deveria ser derrubado e substituído por um melhor, "possivelmente na mesma hora"; e trabalhadores americanos que haviam sido demitidos pelo "sistema" teriam seus empregos e dignidade de volta. Trump ainda tem mais de 1.300 dias na Casa Branca para cumprir sua longa lista de promessas de campanha, mas ninguém pode negar que ele sofreu derrotas nos seus primeiros três meses no poder. Veja como está cada uma de suas principais promessas. Colocar um juiz conservador na Suprema Corte Sem dúvida, este é o maior triunfo de Trump até agora e o motivo por que muitos republicanos indecisos acabaram votando nele. Afinal, seria correr um risco muito grande permitir que um democrata se elegesse quando havia uma vaga para ser preenchida na Suprema Corte e mais outras que poderiam surgir. Como é regra, a vaga agora ocupada pelo conservador Neil Gorsuch é vitalícia, e ele poderá influenciar os rumos da nação em questões como aborto, porte de armas e pena de morte. Revogar e substituir o Obamacare Este foi o maior fracasso dos primeiros cem dias de Trump. A controversa lei de acesso à saúde do ex-presidente Barack Obama começou a ganhar popularidade assim que Trump ganhou a eleição, em novembro. Isso criou um problema para os republicanos, cuja política desde o primeiro dia do Obamacare foi tentar revogá-lo. Depois de atacar a lei durante sete anos, quando finalmente chegara a hora de acabar com ela, o projeto do Partido Republicano que substituiria o Obamacare foi retirado da pauta na última hora porque a liderança da legenda não conseguiu o apoio interno que precisava para aprovar a nova proposta. Construir um muro na fronteira com o México Trump prometeu uma repressão feroz contra a imigração, legal ou ilegal. Além da contratação de 10 mil novos agentes de imigração, o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE, em inglês) intensificou as blitzes e começou a deportar imigrantes ilegais, o que inclui separar famílias e enviar de volta crianças que estavam (e legalmente ainda estão) protegidas pelas políticas da administração anterior. E o muro? O responsável pelo orçamento da administração Trump afirmou ser uma prioridade reservar recursos para o muro no orçamento do próximo ano. A emissora Fox News anunciou que a construção deverá começar antes do verão de 2017 do hemisfério norte, mas o financiamento continua sendo um tema de discórdia entre o presidente e o Congresso. Impedir a entrada de muçulmanos nos EUA O maior drama dos primeiros cem dias de Trump começou quando o presidente assinou a primeira ordem executiva que proibia a entrada de qualquer cidadão, até mesmo portadores de vistos ou green cards, de sete países de maioria muçulmana. Protestos começaram imediatamente em todos os principais aeroportos do país, e ações contra a medida foram apresentadas à Justiça. Os democratas se uniram e até mesmo alguns republicanos se manifestaram contra a ordem executiva. Quando um tribunal de São Francisco considerou o ato executivo inconstitucional, Trump ameaçou levar a questão à Suprema Corte. Porém, ele simplesmente optou por assinar uma nova ordem executiva, desta vez proibindo cidadãos de seis países. Este ato executivo também foi suspenso e ainda está sendo analisado pelos tribunais. Colocar os EUA em primeiro lugar Esta promessa pode ser interpretada de várias maneiras: colocar os interesses econômicos americanos em primeiro lugar ou desvincular os EUA de seus compromissos na política externa. Muitas pessoas acham que significa focar nos problemas internos e ignorar o resto do mundo. Um dos maiores exemplos práticos foi a rápida decisão de retirar os EUA do Tratado Transpacífico (TTP), o controverso acordo comercial multilateral impulsionado por Obama e Bill Clinton e negociado por vários anos com várias nações. Trump chamou o acordo de um "mau negócio" que prejudicaria as empresas e os trabalhadores americanos. No entanto, Trump parece ter aprendido que ser o líder do mundo livre significa ocasionalmente ter que se envolver com o mundo. Os primeiros cem dias de Trump também viram o primeiro ataque militar dos EUA à Síria, o aumento das tensões com a Coreia do Norte e o recuo da promessa de rasgar o acordo "ruim" com o Irã. Pesquisas indicam que a base eleitoral de Trump continua apoiando o presidente, mas ele não foi capaz de conquistar novos adeptos.

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