Alemanha vai repatriar do Brasil famoso avião sequestrado

Carlos Albuquerque, Clarissa Neher

Boeing pertencia à Lufthansa quando foi raptado por terroristas há 40 anos. Abandonada em Fortaleza, aeronave conhecida como Landshut vai ser exposta em museu alemão. Berlim defende valor simbólico.O governo alemão vai repatriar um Boeing 737-200 que foi sequestrado por terroristas em outubro de 1977. A aeronave vai ser desmontada e levada para o Museu Aeroespacial Dornier, em Friedrichshafen, no sul da Alemanha. É provável que o transporte aconteça até o início de setembro, pois o avião deverá fazer parte das comemorações, em meados de outubro próximo, dos 40 anos do sequestro que marcou a recente história alemã. Abandonada num cemitério de aviões no Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, o Landshut – como é chamado o avião na Alemanha – foi comprada da Infraero por 20 mil euros pelo governo alemão. Essa quantia corresponde ao valor de sucata estabelecido por um especialista, informou o Ministério do Exterior em Berlim. Fontes do aeroporto de Fortaleza informaram nesta sexta-feira (28/07) que uma equipe da Lufthansa, antiga proprietária do avião, deverá chegar à capital cearense neste fim de semana para avaliar a desmontagem da aeronave. O jornal alemão FAZ informou que uma aeronave do tipo Antonov deverá ser utilizada no transporte. Segundo as autoridades cearenses, no entanto, ainda não se sabe se as peças do Boeing serão levadas para a Alemanha de navio ou avião. O sequestro A aeronave foi sequestrada em outubro de 1977, com mais de 90 pessoas a bordo, por quatro integrantes da Frente Popular para a Libertação da Palestina, que, para liberar os reféns, pedia a libertação de membros da Fração do Exército Vermelho (RAF) presos na Alemanha. Depois do sequestro, a aeronave continuou transportando passageiros da Lufthansa até ser vendida pela empresa alemã em 1985. O Landshut teve vários proprietários e passou a levar cargas. Até 2008, ele voou pela TAF, de Fortaleza. Devido a pendências judiciais da empresa, o avião foi penhorado e há nove anos está parado no cemitério de aviões da capital cearense. No dia 13 de outubro, a aeronave partiu de Palma de Mallorca, na Espanha, com destino ao aeroporto de Frankfurt. Ao entrar no espaço aéreo francês, os extremistas, armados com pistolas e granadas, anunciaram o sequestro e deram início à jornada de 106 horas que terminaria apenas na Somália. Para libertar os passageiros, o grupo exigia que o governo alemão soltasse integrantes da RAF presos na Alemanha. Berlim se recusou a libertá-los. Antes de pousar em Mogadíscio, durante o sequestro, o avião fez paradas para reabastecer em Roma, Lárnaca, Bahrein, Dubai e Áden. Após o assassinato do piloto em frente aos passageiros, no dia 16, o copiloto foi obrigado a continuar sozinho a jornada. Na capital somali, forças especiais da polícia federal da Alemanha conseguiram libertar a aeronave na madrugada do dia 18 de outubro de 1977. Três dos quatros sequestradores foram mortos na ofensiva. Depois do fracasso da ação terrorista, Andreas Baader, Jan-Carl Raspe e Gudrun Ensslin, membros destacados da RAF, cometeram suicídio coletivo na prisão. Peça de museu O vice-chanceler federal e ministro do Exterior da Alemanha, Sigmar Gabriel, defendeu que o avião seja exposto num museu. Ele disse que o Landshut é simbólico para a memória de um tempo difícil e importante no país. "O Landshut merece encontrar uma morada final e digna na Alemanha", afirmou Gabriel em entrevista ao jornal alemão Bild. O ministro explicou ainda que a história da aeronave é "bastante atual em tempos em que outro tipo bem diferente de terrorismo ameaça nossa convivência pacífica". "Os restos do Landshut estão no Nordeste do Brasil e enferrujam sob o sol. Muitos, não só no Ministério, acreditam que ele mereça talvez um destino melhor, por representar uma parte importante da história alemã", afirmou Martin Schäfer, porta-voz do Ministério do Exterior. Segundo o Bild, a restauração da aeronave deverá ser feita pelos especialistas da Lufthansa nas dependências do Museu Aeroespacial Dornier. De acordo com o Ministério do Exterior em Berlim, a desmontagem e o transporte serão financiados pelo ministério e pela Lufthansa, enquanto a restauração será realizada com verbas do Ministério alemão da Cultura. É grande a alegria diante da nova peça de exposição no Museu Aeroespacial Dornier. Aberta em 2009, a instituição localizada em Friedrichshafen, no Lago de Constança, no sul da Alemanha, também deverá participar financeiramente da restauração do antigo Boeing da Lufthansa.

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