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Extinção de reserva é "ataque à Amazônia", dizem ativistas

25/08/2017 11h14

Para Amazon Watch, medida é maior investida até agora em "pacote de ameaças" ao meio ambiente do governo Temer. WWF Brasil condena falta de transparência e diálogo com sociedade. Mídia internacional repercute decisão.A decisão do governo brasileiro de abrir uma reserva na Amazônia maior que o território da Dinamarca para exploração mineral, anunciada nesta semana, atraiu críticas afiadas de ambientalistas. Eles alertam para o possível aumento do desmatamento, conflitos fundiários e ameaça à biodiversidade.A extinção da Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), localizada na divisa entre o sul e sudoeste do Amapá com o noroeste do Pará, foi alvo de denúncias de organizações como WWF Brasil, Amazon Watch e da modelo Gisele Bündchen.Leia mais: A máquina que move o desmatamento da AmazôniaBündchen publicou uma imagem em seu Twitter convocando os brasileiros a dizerem não ao abrandamento da proteção da Amazônia e a "mostrar ao governo que não estamos de acordo com o fatiamento da Amazônia para exploração"."VERGONHA! Estão leiloando nossa Amazônia! Não podemos destruir nossas áreas protegidas em prol de interesses privados”, escreveu ainda a modelo, que frequentemente se pronuncia sobre causas ambientais. A área ficou mais de 30 anos fechada à atividade de mineração e agora poderá voltar a ser explorada pela iniciativa privada. Apesar de trazer cobre no nome, a região tem alto potencial para exploração de ouro, mas também de tântalo, minério de ferro, níquel, manganês, além de outros minerais nobres.O coordenador de políticas públicas do WWF Brasil, Michel de Souza, alertou em entrevista ao jornal O Globo para o risco de uma corrida do ouro, que acarreta o risco de repetir tragédias como a de Mariana.Para o diretor executivo da organização, Maurício Voivodic, "além da exploração demográfica, desmatamento, perda da biodiversidade e comprometimento dos recursos hídricos, haverá acirramento dos conflitos fundiários e ameaça a povos indígenas e populações tradicionais”.A WWF Brasil também mostrou preocupação com a falta de diálogo e de transparência do governo em abrir a área por meio de decreto, sendo que o território abriga nove áreas protegidas, incluindo unidades de conservação e terras indígenas.Em sua defesa, o presidente Michel Temer disse que a meta não é apenas dar força à indústria da mineração, mas também controlar uma atividade já praticada por mineradoras ilegais que usam métodos destrutivos e contaminam rios com mercúrio."O governo não alterou nenhuma reserva ambiental da nossa Amazônia. Reorganizamos uma área mineral, hoje alvo do garimpo. É bem diferente", disse Temer no Twitter.A Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República também rebateu as críticas de ambientalistas e afirmou que "como explicita o nome, o que deixou de existir foi uma antiga reserva mineral – e não ambiental. Nenhuma reserva ambiental da Amazônia foi tocada pela medida".Destruição e conflitosApesar das palavras de Temer, críticos se mostram descrentes, uma vez que a extinção da reserva e a liberação da mineração na região terão impacto sobre áreas protegidas que estão nos limites da reserva, podendo fomentar atividades de extração ilegal, invasão de terras públicas, desflorestamento e conflitos.A Amazon Watch ressaltou a importância de colocar a decisão dentro um contexto de esforços do governo Temer para reduzir áreas protegidas, enfraquecer o licenciamento ambiental e erodir os direitos indígenas em prol de interesses privados."A abolição do Renca causará destruição na floresta e nas comunidades indígenas atendendo aos interesses do pequeno grupo dos economicamente poderosos que mantêm Temer no poder", disse Christian Poirer, da Amazon Watch ao jornal britânico The Guardian. "Este é o maior ataque até agora em um pacote de ameaças."Moira Birss, também da Amazon Watch, ressaltou à emissora Al Jazeera que a medida é extremamente míope por acabar com proteções ambientais e indígenas, levando à destruição de recursos e, em muitos casos, beneficiando companhias estrangeiras."Maior ataque nos últimos 50 anos"A decisão de extinguir a Renca também teve repercussão na imprensa internacional. A americana CNN destacou que a área da reserva tem duas vezes o tamanho do estado de New Jersey e que a Amazônia produz 20% do oxigênio do mundo.A emissora disse ser difícil determinar a verdadeira escala da mineração no Brasil, pois as operações de mineradoras ilegais são difíceis de localizar. "O desmatamento e a mineração estão destruindo a floresta tropical numa velocidade impressionante", afirmou a CNN.Com a manchete "Brasil libera enorme parque natural para mineração", o site da revista alemã Der Spiegel noticiou que a oposição do governo Temer e ambientalistas estão altamente alarmados após a decisão do governo.O britânico The Guardian citou uma declaração dada pelo senador brasileiro Randolfe Rodrigues (Rede) ao jornal O Globo. Randolfe classificou o decreto de Temer como "o maior ataque contra a Amazônia nos últimos 50 anos". O The Guardian apontou ainda que desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Temer "agiu rapidamente para desfazer proteções ambientais para agradar o poderoso lobby da agricultura e da mineração".PJ/efe/ots