Azerbaijão sob pressão para liberar vencedora do Nobel Alternativo

Crítica ao governo e proibida de deixar o país, jornalista Khadija Ismayilova pode perder entrega do prêmio em Estocolmo. Enquanto presidente visita Bruxelas, fundação organizadora clama por pressão de líderes europeus.A Fundação Right Livelihood Award, organizadora do chamado Nobel Alternativo, fez pressão nesta sexta-feira (24/11) para que autoridades do Azerbaijão suspendam a proibição de viagem da jornalista Khadija Ismayilova, vencedora do prêmio, antes da cerimônia de entrega, daqui a uma semana.

"Pedimos para que todos os Estados-membros do Conselho Europeu emitam declarações públicas solicitando que a proibição de viagem de Khadija Ismayilova seja retirada, que sua conta bancária seja descongelada e que ela e seus colegas jornalistas do Azerbaijão possam trabalham sem impedimentos num ambiente livre de intimidação", afirmou Ole von Uexkull, diretor-executivo da fundação.

A declaração foi publicada em um comunicado da Right Livelihood Award nesta sexta-feira, que expõe a impossibilidade de Ismayilova de receber pessoalmente o Nobel Alternativo deste ano. O prêmio será entregue em um evento no Museu do Vasa, em Estocolmo, em 1º de dezembro.

Uexkull disse ainda que Ismayilova é "uma das mais corajosas e experientes jornalistas investigativas de sua geração" e que, graças a seu trabalho, "sabemos agora quão profundamente as empresas e políticos europeus estão implicados em corrupção e suborno relacionados com o Azerbaijão".

A pressão da Right Livelihood Award vem num momento oportuno, uma vez que o presidente do país, Ilham Aliyev, está em Bruxelas em razão da cúpula da União Europeia (UE) com os seis países da chamada Parceria Oriental, aliança europeia com antigas repúblicas soviéticas.

Nesta quinta-feira, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e outras 36 ONGs de direitos humanos divulgaram uma carta aberta pedindo aos líderes europeus que pressionem o Azerbaijão a pôr fim na mais recente repressão contra jornalistas e grupos da oposição. Cerca de 13 jornalistas do país estão atualmente presos, e outros 15 estão proibidos de deixar o país.

"Eu não sou a única jornalista no Azerbaijão que enfrenta uma proibição de viagem e outras formas de assédio simplesmente porque ousei criticar o governo, enquanto este rouba o dinheiro do povo", declarou Ismayilova no comunicado da fundação.

A jornalista ainda denunciou que "a corrupção não tem fronteiras – ela se introduz no coração da Europa". "É importante que os líderes europeus atuem para impedir isso", acrescentou, sugerindo "sanções contra políticos corruptos e abusadores dos direitos humanos no Azerbaijão".

Ismayilova foi uma das vencedoras do Nobel Alternativo em 2017 por "sua coragem e tenacidade mostradas na exposição da corrupção ao mais alto nível governamental, através de um jornalismo de investigação excepcional em nome da transparência e da responsabilização".

Devido às publicações sobre esquemas da família do presidente do Azerbaijão, Ismayilova passou 18 meses na prisão e sofreu ameaças e campanha difamatória. Ela foi libertada em maio de 2016, quando conseguiu ter sua pena reduzida após uma campanha internacional.

Apesar da liberdade carcerária, ela foi proibida pela Justiça de sair do país durante cinco anos. Desde então, suas tentativas de derrubar a proibição já foram rejeitadas quatro vezes pelos tribunais locais, sendo a mais recente em 17 de outubro. Há dez dias, teve sua conta bancária congelada.

O presidente Aliyev governa o país no sul do Cáucaso há quase 15 anos. Ele assumiu o poder um pouco antes da morte de seu pai, Heydar Aliyev, que, por sua vez, foi presidente de 1993 a 2003. Com cerca de 10 milhões de habitantes, o Azerbaijão é um Estado pequeno, mas estrategicamente importante, sendo um grande exportador de petróleo para a Europa.

EK/ap/dpa/dw/ots

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