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Rússia usa tensão com Ocidente para combater fuga de cérebros

Miodrag Soric (rk)

21/04/2018 08h17

Em meio a problemas diplomáticos, Moscou tenta trazer de volta ao país jovens que estudam em países como Reino Unido e EUA, apontando para russofobia crescente e possíveis perseguições."Voltem para a Rússia!" Com essa mensagem, a agência federal russa para cidadãos vivendo no exterior e cooperação internacional, conhecida no país como Rossotrudnichestvo, se dirigiu a dezenas de milhares de russos no Ocidente.

A convocação é direcionada especialmente a estudantes vivendo atualmente no Reino Unido, nos Estados Unidos e outros países "não amigáveis". Os alunos, de acordo com a agência, deveriam continuar os estudos em sua terra natal.

Leia também: Crise do caso Skripal já atinge mais de 300 funcionários diplomáticos

A iniciativa de Moscou é uma aparente consequência da deteriroração das relações entre a Rússia e países ocidentais – sobretudo depois do caso Skripal. Os estudantes russos serão calorosamente acolhidos no país de origem, diz a agência com sede na capital.

A Rossotrunichestvo também denuncia uma crescente "russofobia" e posturas antirrussas na Europa e alerta contra possíveis perseguições a cidadãos russos.

Genri Sardarian, decano da Faculdade de Administração e Política do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou (MGIMO), confirma: sua instituição e outras aceitariam as notas obtidas pelos estudantes no exterior se os alunos optassem por continuar os estudos na Rússia.

Segundo o Ministério da Educação da Rússia, em 2014, cerca de 60 mil cidadãos russos frequentavam instituições de ensino superiores estrangeiras. Como a situação econômica na Rússia piorou recentemente, estima-se que o número atual seja ainda maior.

Enquanto Moscou estimula tendências isolacionistas, a embaixada britânica na capital russa dá as boas-vindas a russos que queiram ir ao Reino Unido – como turistas, para negócios ou para estudar. A Universidade de Oxford também publicou uma convocação aos estudantes russos: apesar das tensões diplomáticas, o sistema de ensino britânico está aberto aos russos. As condições de admissão não mudaram, segundo Oxford.

Fuga de cérebros e sofrimento da economia

Não é a primeira vez que o Kremlin tenta coibir a chamada "fuga de cérebros". Até agora, no entanto, o governo russo não citou razões políticas para evitar o êxodo acadêmico. As áreas da economia e da ciência são as mais prejudicadas.

Não se sabe exatamente quantos estudiosos deram as costas para o país. Segundo estimativas, a soma é de cerca de um milhão desde a derrocada da União Soviética. Viktor Kalinushkin, da Academia de Ciências em Moscou, disse há alguns anos que pesquisadores falantes de russo seriam responsáveis por cerca de 30% dos produtos desenvolvidos pela Microsoft.

Nos últimos 15 anos, o governo russo deu início a vários programas para incentivar estudantes e pesquisadores altamente qualificados a voltarem à Rússia. Até agora, o sucesso das iniciativas foi moderado.

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