Atirador de ataque na Bélgica matou um homem na noite anterior

  • John Thys/AFP Photo

    29.mai.2018 - Policial cerca área após ataque em Liège, na Bélgica

    29.mai.2018 - Policial cerca área após ataque em Liège, na Bélgica

Promotoria da Bélgica confirma que agressor gritou várias vezes "Allahu akbar" durante atentado em que matou três pessoas. Caso é investigado como ato terrorista.O homem que matou duas policiais e um civil de 22 anos na terça-feira (29) em Liège matara um outro homem na noite anterior, confirmou nesta quarta-feira o ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon.

Em entrevista à rádio RTL, Jambon adiantou que o belga Benjamin Herman é responsável também pela morte de Michaël Wilmet, um dependente químico e fichado na polícia por tráfico de drogas cujo cadáver foi encontrado na terça-feira de manhã em sua residência em On, na província belga de Luxemburgo.

De acordo com o ministro, as razões para as mortes ainda não estão claras. "Pode ser por motivos de radicalização, mas também pode ser que ele não tivesse nenhuma perspectiva na nossa sociedade, pois também cometeu um assassinato na noite anterior. A psicologia desse indivíduo, que pode ser que também estivesse drogado, coloca muitas questões. Antes de tirar conclusões é preciso esperar o resultado da investigação", disse Jambon.

Também nesta quarta-feira, a Promotoria Federal da Bélgica confirmou que o atirador gritou várias vezes Allahu akbar (Deus é grande) durante o ataque. Ele também mantivera contato com pessoas radicalizadas. Segundo a Promotoria, o caso está sendo investigado como assassinato terrorista e tentativa de assassinato terrorista.

Herman, recém-saído da prisão com uma permissão temporária, matou duas agentes da polícia, de 45 e 53 anos, e um homem de 22 anos, além de ferir a tiros outros quatro policiais. Ele acabou sendo morto por policiais.

O ministro da Justiça, Koen Geens, confirmou ontem que Herman, que tinha saído na segunda-feira da prisão de Latin, onde cumpria pena por delitos menores, desfrutou de um total de 13 autorizações para sair da prisão. Herman havia recebido algumas horas de liberdade na segunda-feira, mas não retornou à prisão. Segundo a emissora estatal belga RTBF, Herman era traficante de drogas e, aparentemente, radicalizou-se quando estava na prisão.

Geens declarou que se sente responsável pela situação do atirador. "Me sinto responsável porque tenho a responsabilidade das prisões. Esse homem deveria de ter sido libertado por uma permissão de saída temporária? É uma questão que merece um exame de consciência da minha parte", disse o ministro da Justiça. Herman terminaria de cumprir sua pena em 2020.

O atentado em Liège

Nesta terça-feira, o agressor esfaqueou duas policiais, roubou suas armas e depois disparou contra elas e um homem de 22 anos que estava no banco do passageiro de um carro estacionado. O atentado ocorreu nas proximidades do Café des Augustins, no bulevar d'Avroy, que leva ao centro histórico de Liège.

"Armado com uma faca, o atirador seguiu e atacou duas policiais e usou as armas de fogo delas para matá-las", disse o promotor Philippe Dulieu. "Ele seguiu a pé, atacou um veículo estacionado, onde abriu fogo contra um jovem de 22 anos no banco do passageiro. O jovem morreu. Ele então entrou no colégio Léonie de Waha, onde fez uma funcionária da limpeza como refém. A polícia interveio. Ele disparou contra os policiais, ferindo vários antes de ser morto."

O primeiro-ministro da Bélgica, Charles Michel, e o rei Filipe da Bélgica viajaram a Liège e condenaram o ataque. "Violência covarde e cega em Liège. Todo o nosso apoio às vítimas e a seus entes queridos. Estamos acompanhando a situação com os serviços de segurança e o Centro de Crise", escreveu Michel em sua conta da rede social Twitter.

Liège, uma cidade industrial no leste da Bélgica, próximo da fronteira com a Alemanha, foi palco de um tiroteio em 2011, quando um atirador matou quatro pessoas e feriu mais de cem antes de cometer suicídio.

A polícia belga e as Forças Armadas estão em alerta desde que uma célula da organização jihadista "Estado Islâmico", com sede na Bélgica, esteve envolvida nos ataques de Paris de 2015, que resultaram na morte de 130 pessoas, e no ataque suicida que deixou 32 mortos no aeroporto de Bruxelas e numa estação de metrô da capital belga em 2016.

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