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Trem sul-coreano cruza fronteira com Coreia do Norte

2018-11-30T10:36:00

30/11/2018 10h36

Seul e Pyongyang iniciam inspeções de linhas férreas para interligação de sistemas ferroviários. Mais recente projeto de cooperação entre as duas Coreias, no entanto, pode sucumbir às sanções dos EUA.Depois de mais de uma década, um trem sul-coreano cruzou a fronteira com a Coreia do Norte nesta sexta-feira (30/11). Trata-se do primeiro passo na criação de um sistema ferroviário conjunto – o mais recente projeto de cooperação entre as duas Coreias.

A medida é crucial para concretizar o objetivo comum de Pyongyang e Seul de restabelecer conexões ferroviárias entre os dois países e, desta forma, facilitar o transporte transfronteiriço de passageiros e produtos.

"Por meio das ferrovias que serão conectadas numa só, o Sul e o Norte prosperarão juntos, e a paz na Península Coreana vai se solidificar", afirmou o ministro sul-coreano da Unificação, Cho Myoung-gyon, durante uma cerimônia na estação Dorasan, perto da fronteira e de onde o trem partiu.

"Vamos manter uma estreita cooperação com as nações envolvidas para que o projeto de ligação entre as ferrovias do Sul e do Norte possa prosseguir com apoio internacional", disse Cho.

Um trem sul-coreano, com seis vagões, partiu lentamente em direção à estação de Panmun, perto da cidade norte-coreana de Kaesong, onde os vagões serão ligados a uma locomotiva norte-coreana.

De acordo com os planos explicados por Cho, as autoridades coreanas iniciarão a inspeção de uma linha ferroviária de 400 quilômetros entre Kaesong e Sinuiju e que corta a região central do norte e a costa nordeste.

Entre 8 e 17 de dezembro, as Coreias inspecionarão outro trecho ferroviário de 800 quilômetros ao longo da costa leste norte-coreana, que se estende até uma estação próxima da fronteira com a Rússia.

As duas Coreias decidiram iniciar entre o final de novembro e o início de dezembro os trabalhos para modernizar e, eventualmente, ligar as suas redes férreas e viárias, num acordo alcançado nas cúpulas de abril e setembro.

O projeto foi adiado vários meses, depois de o Comando das Nações Unidas na Coreia, liderado pelos Estados Unidos, bloquear o acesso aos materiais necessários para efetuar o estudo de terreno na Coreia do Norte.

O bloqueio pode ser interpretado como um sinal do descontentamento de Washington com uma possível violação das sanções impostas ao regime norte-coreano e a aceleração da cooperação intercoreana, num momento em que as negociações sobre a desnuclearização parecem estar paralisadas.

O projeto pôde começar depois que o Conselho de Segurança da ONU concedeu, há poucos dias, uma isenção sobre as sanções que pesam sobre o regime norte-coreano. Essa isenção permite o envio ao Norte de combustível e de outros materiais para executar o estudo, algo que normalmente é proibido pelas resoluções do Conselho de Segurança.

Também nesta sexta-feira, uma fonte do Ministério da Defesa da Coreia do Sul comunicou que soldados sul-coreanos e norte-coreanos concluíram a retirada de 20 postos de vigilância e de minas terrestres na fronteira. Nos locais, equipes militares vão procurar por restos humanos remanescentes da Guerra da Coreia (1950-1953) – a primeira busca conjunta.

O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, manteve reuniões com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, em vista à melhoria das relações diplomáticas para encerrar as tensões na Península Coreana. Para tal, vários projetos de cooperação foram anunciados, incluindo o plano de sediar de forma conjunta os Jogos Olímpicos de 2032.

PV/lusa/efe/ap/afp

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