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Extrema direita europeia se reúne na Itália antes das eleições

18/05/2019 15h52

Comandado por Matteo Salvini, comício em Milão reúne líderes nacionalistas e ultradireitistas e vários apoiadores a uma semana do pleito para o Parlamento Europeu. Le Pen prevê voto histórico para populistas de direita.Milhares de apoiadores se uniram neste sábado (18/05) a líderes de partidos nacionalistas e de extrema direita da Europa em um evento em Milão, na Itália, que visou fortalecer os laços entre essas legendas uma semana antes das eleições para o Parlamento Europeu.

O comício foi promovido pelo vice-primeiro-ministro e ministro do Interior italiano, o populista de direita Matteo Salvini, que ao lado de sua principal aliada, a francesa Marine Le Pen, busca construir uma aliança ultradireitista com cerca de 12 partidos europeus na tentativa de se tornar a principal força política no Legislativo do continente.

"Aqui não é a extrema direita, mas a política do bom senso. São os extremistas que têm governado a Europa nos últimos 20 anos", declarou Salvini, líder do partido ultradireitista Liga, de cima de um palco montado na Piazza del Duomo, em frente à Catedral de Milão.

Segundo o italiano, "extremistas são aqueles da especulação, do desemprego, e que tentaram nos explicar que não havia alternativa à precariedade".

Salvini afirmou ainda que a primeira proposta de sua aliança no Parlamento Europeu será o que chamou de "Carta dos direitos dos povos europeus", para que "no lugar do Deus dinheiro esteja o direito ao trabalho, à felicidade e à saúde para nossos filhos e para nós".

Assim como outros líderes políticos que discursaram neste sábado em Milão, o vice-premiê italiano adotou um tom duro contra a imigração. "Se vocês nos fizerem o primeiro partido na Europa, levaremos a política anti-imigrantes a toda a Europa, e aqui não entrará mais nenhum", afirmou ele, famoso por sua incansável retórica anti-imigração.

Salvini, disse, por fim, que a "Europa das nações e da democracia terá que voltar a ser central no Parlamento Europeu, que é a única instituição que elege livremente".

Le Pen, líder do partido populista de direita francês Agrupamento Nacional, reforçou as críticas contra o bloco europeu. "Não queremos esta União Europeia que alimenta uma globalização selvagem, sem regras, que faz escravos trabalharem para vender mercadorias a desempregados", denunciou a francesa.

"Este é um momento histórico", disse ela a repórteres em Milão antes do evento neste sábado. "Cinco anos atrás estávamos isolados. Mas hoje, com nossos aliados, finalmente estaremos em posição de mudar a Europa."

Le Pen previu que a nova aliança ultradireitista passará da oitava posição na Europa para "o terceiro ou talvez o segundo" maior grupo no Parlamento Europeu nas próximas eleições, que serão realizadas entre 23 e 26 de maio.

Pesquisas de opinião recentes sugerem que a aliança pode chegar ao quarto lugar no pleito, mas Le Pen acredita que outros partidos ainda podem se juntar ao grupo, incluindo o Fidesz, do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que atualmente ainda está ancorado no bloco convencional da direita europeia.

O grande comício da ultradireita em Milão reuniu delegações de vários países neste sábado, incluindo Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Dinamarca, Eslováquia, Estônia, Finlândia, França, Holanda e República Tcheca.

O evento, contudo, acabou sendo ofuscado por um escândalo que atingiu o vice-chanceler federal da Áustria, Heinz-Christian Strache, líder do ultradireitista Partido da Liberdade (FPÖ), que acabou renunciando ao cargo neste sábado.

Strache, cujo partido forma coalizão de governo com o conservador Partido Popular Austríaco (ÖVP), do chanceler federal Sebastian Kurz, foi flagrado em uma gravação de vídeo oferecendo futuros contratos governamentais a uma suposta magnata russa em troca de apoio ao seu partido nas últimas eleições parlamentares, em 2017.

Após a renúncia de Strache, o FPÖ cancelou sua participação no comício em Milão, mas recebeu apoio de políticos presentes na capital financeira da Itália.

"O FPÖ é nosso parceiro próximo", disse Jörg Meuthen, do partido populista de direita alemão Alternativa para a Alemanha (AfD). O político destacou que não vai "apunhalar o FPÖ pelas costas" por algo que ele chamou de "questão singular".

EK/afp/dpa/efe/lusa/rtr/dw

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