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Trump apresenta plano de paz para o Oriente Médio

28/01/2020 17h37

Proposta prevê criação de dois Estados, Jerusalém como "capital indivisível" de Israel e reconhecimento de territórios ocupados na Cisjordânia. Aprovada por Netanyahu, ideia é rejeitada por palestinos.Ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta terça-feira (28/01) na Casa Branca seu plano de paz para o conflito entre israelenses e palestinos, que prevê uma solução de dois Estados e Jerusalém como "capital indivisível" de Israel.

Trump afirmou que sua "visão" prevê "uma solução realista de dois Estados", que incluiria um "território contínuo" para os palestinos se eles renunciarem ao "terrorismo". O presidente americano disse que sua ideia seria a "mais arrojada" de todas as outras já apresentadas para solucionar o conflito.

"Hoje, Israel deu um gigante passo em direção à paz", afirmou Trump, contando que enviou uma carta apresentando a proposta ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. O americano ignorou a rejeição de palestinos a iniciativas vindas do seu governo, considerado demasiado alinhado aos interesses de Israel.

"A minha visão apresenta uma oportunidade para ambos os lados ganharem, uma solução realista de dois Estados, que abarca o risco que um Estado palestino representa para a segurança de Israel." O presidente afirmou que seu plano prevê a duplicação do território palestino, do qual Jerusalém Oriental seria a capital.

Apesar dessa concessão, a cidade seria ainda, porém, a "capital indivisível" de Israel. Trump lembrou que os EUA já reconheceram isso desde que transferiram a embaixada para Jerusalém e acrescentou que também já reconheceu as colinas de Golã, anexadas formalmente por Israel em 1981, como território israelense. A comunidade internacional considera a região um território ocupado, e a Síria exige sua devolução como precondição para um futuro acordo de paz.

Altos funcionários do governo americano confirmaram que a proposta reconhece assentamentos israelenses em ocupações na Cisjordânia. Em troca, Israel concordou em congelar a construção de novos assentamentos enquanto ocorrerem as negociações para a criação do Estado palestino.

A criação do Estado palestino foi vinculada a um acordo de segurança voltado a proteger os israelenses. Israel também se dispôs a tomar medidas para garantir a palestinos o acesso à mesquita sagrada de Al-Aqsa, em Jerusalém.

Trump alegou que seu plano de paz é uma ferramenta importante para combater o terrorismo e disse que tem feito muito para proteger Israel. "Esta é a primeira vez que Israel autoriza a divulgação de um mapa conceitual ilustrando as concessões territoriais que está disposto a fazer para conseguir a paz", disse.

Posteriormente, o presidente americano postou no Twitter o mapa, que inclui uma ligação dos territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia através de um túnel e reserva para Israel o Vale do Jordão, localizado a oeste do rio com o mesmo nome e ao longo da fronteira com a Jordânia.



Embora os palestinos não aceitem os Estados Unidos como mediadores, Trump se mostra confiante de que os convencerá a médio prazo a negociar, prometendo um investimento de 50 bilhões de dólares que dobraria o PIB dos territórios, além da criação de 1 milhão de empregos.

Netanyahu elogiou a proposta de Trump. "Hoje é um dia histórico", comparando o plano do republicano com o reconhecimento do Estado de Israel pelo ex-presidente americano Harry Truman, em 1948.

O premiê destacou que o plano inclui o apoio à anexação israelense do Vale do Jordão, que representa cerca de 30% da Cisjordânia. "Isso nos dará uma fronteira oriental permanente para nos defendermos", disse, confirmando um detalhe que deve causar grande rejeição por parte dos líderes palestinos e de parte da comunidade internacional.

A Cisjordânia está sob ocupação de Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, mas a maioria dos países considera os assentamentos judeus ilegais pelo direito internacional. Os palestinos reivindicam a Cisjordânia para seu almejado Estado, junto com Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza.

A cerimônia na Casa Branca também contou com a presença do principal rival de Netanyahu nas eleições israelenses de 2 de março, o centrista Benny Gantz – que segundo Trump também se comprometeu com o plano –, assim como os embaixadores em Washington de três países do Golfo: Omã, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Palestinos rejeitam proposta

Após o anúncio dos planos de Trump, Abbas rejeitou a proposta, que chamou de "conspiração". "Jerusalém não está à venda e todos os nossos direitos não estão à venda e não são uma barganha", disse num discurso transmitido pela televisão em Ramallah.

O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, também rechaçou o plano. "Temos certeza que o povo palestino não permitirá que essa conspiração passe. Portanto, todas as opções estão abertas", disse um alto funcionário do movimento islâmico.

Abbas conversou também com o chefe do Hamas, Ismail Haniyeh, para discutir como agir em relação ao plano de Trump. A conversa pouco habitual ocorreu pouco antes da apresentação da proposta. Na ligação, Abbas defendeu que a união é a "pedra angular" para derrotar o acordo que, segundo ele, elimina "direitos legítimos" dos palestinos.

O líder do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, também destacou a unidade como fator essencial e disse que o movimento está pronto para trabalhar politicamente e resolver as divisões com o Al Fatah, partido nacionalista de Abbas, que governa a Cisjordânia.

A proposta também foi condenada pelo grupo israelense Paz Agora, que defende uma solução de dois Estados para o conflito. "O plano, uma luz verde para Israel anexar os assentamentos em troca de um Estado palestino perfurado, é inviável e não traria estabilidade", disse o grupo, classificando o plano como uma "farsa".

A Rússia pediu que israelenses e palestinos iniciem "negociações diretas" para chegaram a um acordo comum. "Não sabemos se a proposta americana é mutuamente aceitável. Devemos esperar pela reação de ambas as partes", afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores de Moscou, Mikhail Bogdanov.

CN/efe/lusa/afp/rtr

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