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Internacional

ONU pede que UE não volte atrás em promessa de receber refugiados sírios

17/11/2015 11h36

Genebra, 17 nov (EFE).- Após os atentados de Paris, a União Europeia (UE) precisa se manter firme quanto ao plano de receber 160 mil refugiados, já que os imigrantes que chegam ao continente fogem justamente dos responsáveis pelos ataques à capital francesa, disse a ONU nesta terça-feira.

"Os sírios estão fugindo das pessoas que realizaram este ataque. O que está sob ameaça é o plano da UE para a gestão de chegada de imigrantes e refugiados a Itália e Grécia. Precisamos que todos os participem e é alarmante vermos que alguns países que assinaram o acordo agora voltam atrás", disse a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Melissa Fleming.

"A integridade do sistema de asilo deve ser preservada. O asilo e o terrorismo são incompatíveis, e a Convenção sobre o Refugiado de 1951 é clara ao excluir as pessoas que cometeram crimes graves", disse Fleming, acrescentando que pessoas com antecedentes militares também são rejeitadas de forma automática.

Para a ONU, "qualquer retrocesso no sistema instalado para conduzir a chegada de tanta gente, por meio de um sistema de registro e filtros, pode perpetuar o problema".

Sobre o fato de um passaporte sírio ter sido encontrado perto dos restos mortais de um dos terroristas suicidas do Stade de France, Fleming lembrou que muitos desses documentos são falsos, parte da estratégia das redes criminosas, e pediu que conclusões precipitadas sejam evitadas enquanto as investigações ainda estão em andamento.

Perguntada sobre a possibilidade de os terroristas se infiltrarem dentro do enorme fluxo de terroristas, a porta-voz indicou que, desde o início da crise, a Acnur pediu várias vezes que a UE adotasse mecanismos mais adaptados para a recepção, registro e verificação dos refugiados e imigrantes que chegam ao continente.

O sistema atualmente usado na Grécia - porta de entrada para grande maioria dos refugiados sírios - é limitado e ultrapassado para o grande fluxo de pessoas que chega diariamente.

Mais de 832 mil refugiados chegaram à Europa pelo Mar Mediterrâneo neste ano, segundo números divulgados hoje em Genebra pela Organização Internacional de Migrações (OIM).

O Acnur propõe um sistema de registro e verificação "mais completo", com investigações mais profundas sobre os antecedentes dos indivíduos, entrevistas mais longas e, sobretudo, que o refugiado não seja autorizado a continuar sua viagem pela Europa enquanto o pedido de asilo seja avaliado.

Fleming destacou que o Acnur é contra a edificação de mais barreiras nas fronteiras porque os resultados serão "gargalos e relegar o problema aos países que são menos preparados para enfrentá-lo".

Sobre a decisão de alguns estados dos Estados Unidos de não receberem mais refugiados sírios, anteriormente comprometidos com a Acnur, como reação aos atentados da França, Fleming disse que "o mundo que acolhe os sírios pode vencer o extremismo, mas quem rejeitá-los, sobretudo porque são muçulmanos, só alimentará a propaganda que fortalece grupos como o Estado Islâmico (EI)".

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