China confirma que livreiros desaparecidos de H.Kong estão sendo investigados

Hong Kong, 5 fev (EFE).- Os três livreiros de Hong Kong cujo paradeiro era desconhecido desde outubro, que fazem parte de um grupo de cinco que desapareceram da ilha em circunstâncias misteriosas no final do ano passado, estão detidos na China acusados de "práticas ilegais", segundo confirmaram as autoridades chinesas.

O Departamento de Segurança Pública da província de Cantão, que fica no sul da China e próxima da ex-colônia britânica, explicou na quinta-feira em carta ao órgão equivalente de Hong Kong que os livreiros, Lui Por, Cheung Chi Ping e Lam Wing Kee, estão sendo investigados por envolvimento em atividades ilegais na China continental.

No documento, as autoridades chinesas explicam que os três livreiros são suspeitos de envolvimento em um caso relativo a uma pessoa de sobrenome Gui, e que as autoridades policiais decidiram tomar medidas penais contra eles enquanto a investigação segue em andamento.

Lui Por, Cheung Chi Ping e Lam Wing Kee são funcionários da livraria Causeway Bay Books e da editora Mighty Current, com sede em Hong Kong, que vende e publica volumes críticos ao regime comunista chinês. Os três estavam desaparecidos desde o fim de outubro.

A informação divulgada pelas autoridades chinesas inclui uma carta escrita por Lee Bo, outro livreiro que também se encontra na parte continental em circunstâncias desconhecidas, segundo confirmaram fontes policiais chinesas no dia 18 de janeiro, na qual o editor se recusava a reunir-se com a polícia de Hong Kong.

As autoridades da ex-colônia britânica tinham empreendido uma investigação para esclarecer como Lee Bo foi parar na parte continental chinesa sem que os serviços de imigração tivessem conhecimento de sua passagem pela fronteira, quando no dia 2 de janeiro sua esposa apresentou uma denúncia em Hong Kong sobre seu desaparecimento.

A polícia de Hong Kong respondeu às notificações de seus colegas chineses solicitando participar do acompanhamento das investigações sobre Lui Por, Cheung Chi Ping e Lam Wing Kee, e insistiu que quer ouvir Lee Bo o mais rápido possível.

A confirmação da presença dos três livreiros em território continental aumenta as suspeitas de que os cinco editores de Hong Kong teriam sido detidos e levados à China contra sua vontade, dado o sigilo com que as autoridades de Pequim estão tratando seus casos.

Gui Minhai, um cidadão de Hong Kong com passaporte sueco, o primeiro dos cinco livreiros que foi dado como desaparecido em outubro, foi visto em uma transmissão televisiva da emissora estatal chinesa no dia 17 de janeiro, relatando que tinha se entregado às autoridades chinesas no ano passado para responder por um crime que havia cometido em 2003 e pelo qual teria fugido do país.

Um dia após sua aparição na televisão, as autoridades chinesas confirmaram que Lee Bo, o quinto dos livreiros desaparecidos de Hong Kong, também estava detido na China, sem explicar os motivos e como ele tinha chegado ao território continental.

A suposta intromissão das autoridades chinesas no caso dos cinco editores poderia colocar em risco a regra de "um país, dois sistemas" vigente em Hong Kong para prevenir possíveis interferências de Pequim em temas como a independência jurídica e certas liberdades que não existem na China continental. EFE

ifs/rpr

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