Micheál Martin terá outros 5 anos de oposição para reconstruir seu partido

Javier Aja.

Dublin, 25 fev (EFE).- Micheál Martin, o líder do partido Fianna Fáil (FF), de centro, segue com a difícil tarefa de reabilitar a imagem da legenda que mais vezes governou a República da Irlanda e que afundou o país em uma das piores crises econômicas de sua história.

Nascido em Cork, no sul do país, há 55 anos, Martin tomou as rédeas do partido em janeiro de 2011, um mês depois que o Executivo de Dublin pediu à União Europeia (UE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) um resgate de 85 bilhões de euros.

Os irlandeses, que estavam em "choque" após a chegada de uma troika - composta por Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI - armada com um duro programa de ajustes, se dispunham a castigar o Fianna Fáil no pleito de fevereiro desse ano.

A derrocada eleitoral era inevitável, mas Martin assumiu o desafio para demonstrar na oposição sua capacidade como reformista e justificar sua fama de político tenaz e paciente.

As pesquisas indicam agora que o Fianna Fáil poderia recuperar parte dos 57 cadeiras que perdeu há cinco anos e somar até 13 novos parlamentares aos 20 que teve nesta legislatura, se for confirmado que suas intenções de voto estejam em torno de 20%.

Nesse caso, a legenda se reafirmaria como o principal partido da oposição, um lugar mais cômodo para continuar com o trabalho de reconstrução até as eleições de 2021.

Sério e obsessivo com os pequenos detalhes, segundo descrito por um de seus colaboradores, Martin é visto, além disso, como um político alheio à "velha-guarda" do FF, apesar de ter servido como ministro em diferentes pastas entre 1997 e 2011.

Ele, que é formado em História, casado e pai de quatro filhos, foi por um curto período professor e começou sua carreira política em 1985 como vereador na Prefeitura de Cork, da qual foi prefeito entre 1992 e 1993.

Depois, Martin comandou os departamentos de Educação e Ciência (1997-2000), Saúde e Infância (2000-2004), Empresa, Comércio e Emprego (2004-2008) e Relações Exteriores (2008-2011).

Martin, filho de um ex-boxeador profissional, é reconhecido por suas qualidades de "se manter em pé", como demonstra sua habilidade para se manter operando durante as piores crises.

Como chefe da diplomacia irlandesa, Martin liderou a campanha do governo em 2008 a favor da ratificação em referendo do Tratado de Lisboa da UE, que foi rejeitado nas urnas e colocou o bloco em uma profunda crise.

Martin evitou as críticas, que recaíram sobre outros companheiros, e voltou à cena pública no ano seguinte com outra consulta sobre este assunto, que terminou com o "sim" da maioria do eleitorado irlandês.

Martin não é visto como culpado pelo difícil estado do sistema de saúde irlandês, vítima das políticas liberais do FF, mas, de novo, a ira dos cidadãos se voltou contra outros colegas e agora contra a política de austeridade de troika.

Sua imagem pessoal se afasta, além disso, da de seus antecessores no cargo, Brian Cowen e Bertie Ahern, que tinham uma pose mais franca e populista.

Martin é um fanático por exercícios físicos e saúde, e também é conhecido por um estilo pausado e comedido na hora de falar em público.

Quando ataca, no entanto, faz com convicção, embora isso signifique ir contra a opinião de setores de seu partido e da cidadania.

De fato, entre suas conquistas, destaca-se a introdução em 2004 da lei antitabaco, o que transformou a Irlanda no primeiro país do mundo a proibir o fumo em espaços públicos.

Seu partido acredita que o eleitorado continue pensando que Martin foi uma exceção dentro de um dos Executivos mais impopulares da história do país, para sempre associado aos excessos dos bancos e dos construtores.

A legenda espera também que Martin, eterno candidato ao posto de "taoiseach" (primeiro-ministro), demonstre a paciência com a qual esperou por sua oportunidade para comandar o FF.

Por causa de sua idade, Martin ainda tem tempo de sobra para reconstruir o partido e assumir o poder dentro de cinco anos.

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