Ex-líder da Ku Klux Klan faz campanha por conta própria a favor de Trump

Raquel Godos.

Washington, 29 fev (EFE).- Não votar em Donald Trump seria "trair nossa herança", assim argumentou recentemente David Duke, antigo líder da Ku Klux Klan (KKK), ao justificar seu apoio ao magnata imobiliário na disputa pela presidência dos Estados Unidos, apesar de o próprio multimilionário tê-lo rechaçado.

Duke não só pediu que os seguidores do grupo supremacista branco votasse em Trump, mas também para se alistarem como voluntários em sua campanha porque, segundo ele, encontrariam afinidades.

"Estão pedindo voluntários aos gritos. Podem ir, conhecerão pessoas com a mesma mentalidade que vocês", garantiu Duke em discurso recente dirigido aos simpatizantes da KKK.

"Não estou dizendo que esteja de acordo com tudo relacionado com Trump. De fato, eu não o teria apoiado formalmente. Mas apoio sua candidatura e respaldo votar nele como uma ação estratégica. Espero que faça tudo o que esperamos dele", reiterou o ex-líder supremacista.

A reiterada retórica anti-imigrante de Trump, a promessa de construir um muro na fronteira com o México e sua proposta de proibir a entrada aos EUA dos muçulmanos lhe garantiram uma considerável quantidade de adeptos entre os grupos mais xenófobos.

Coincidindo com estas declarações, um grupo de ação política alinhado com o nacionalismo branco também deu seu respaldo ao pré-candidato republicano e começou uma campanha telefônica no estado de Vermont a favor do magnata.

Em dezembro, Rocky Suhayda, líder do Partido Nazista Americano, aplaudiu o plano de Trump para impedir que os fiéis do islã pisassem em solo americano de maneira temporária diante da ameaça do terrorismo jihadista.

Por sua vez, Andrew Anglin, editor do site neonazista The Daily Stormer", escreveu um texto intitulado "Heil Donald Trump, o último salvador", em apoio a essa proposta.

No final de seu artigo, não satisfeito com a alusão a Adolf Hitler, Anglin concluiu parafraseando o próprio magnata: "Make America White Again!" ("Faça os EUA ficar branco de novo!").

Além de proibir a entrada dos muçulmanos por causa do tiroteio ocorrido em dezembro do ano passado em San Bernardino (Califórnia), atribuído à radicalização jihadista de seus autores, Trump também sugeriu a criação de uma base de dados para registrar todos os muçulmanos nos EUA depois dos ataques executados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) em Paris em novembro.

E tudo indica não são apenas apoios isolados. Uma pesquisa nacional publicada pelo jornal "The New York Times" indica que quase 20% dos eleitores de Trump são contra a Proclamação de Emancipação, que libertou os escravos do sul durante a Guerra Civil.

Consciente de que este tipo de comentário atrai certo setor da sociedade, Trump compartilhou no Twitter o comentário de uma conta registrada como "WhiteGenocideTM" ("GenocidaBrancoTM"), na qual basicamente são publicadas imagens racistas.

No entanto, apesar de no discurso do lançamento de sua campanha ter chamado os imigrantes mexicanos de "narcotraficantes, criminosos e estupradores", Trump rejeitou o apoio de Duke.

Perguntado pela imprensa, disse não ter conhecimento que o antigo líder da KKK tivesse demonstrado simpatia por ele e evitou qualquer aproximação.

"Não sabia sequer que tinha me apoiado. David Duke me respaldou? Eu o rechaço", respondeu sem mais rodeios o magnata, que, com o apoio supremacista ou sem ele, parece estar cada vez mais perto de se transformar no candidato republicano às eleições dos EUA.

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