Kenny, Martin e Gerry Adams concorrerão para liderar governo na Irlanda

Javier Aja.

Dublin, 29 fev (EFE).- Os três principais partidos irlandeses confirmaram nesta segunda-feira que apresentarão seus líderes ao cargo de primeiro-ministro na sessão de posse do próximo dia 10 de março, apesar de os resultados das eleições de sexta-feira não terem aprovado, por enquanto, nenhuma candidatura.

O Fine Gael (FG) do chefe de governo interino, o democrata-cristão Enda Kenny, o líder do centrista Fianna Fáil (FF), Micheál Martin, e o presidente do Sinn Féin, Gerry Adams, começaram hoje a analisar suas opções como candidatos das legendas mais votadas, respectivamente.

Embora a lenta apuração de votos tenha entrado hoje em sua terceira jornada e ainda seja preciso distribuir 10 das 158 cadeiras em disputa, os candidatos já sabem que a formação de pactos de governabilidade será complicada pela nova composição parlamentar.

A câmara baixa de Dublin (Dáil) será a mais heterogênea das últimas décadas devido ao auge de partidos minoritários de esquerda e conservadores e de candidatos independentes de diversas tendências, uma bancada que divide agora cerca de 30% das cadeiras.

O Sinn Féin, que poderia obter 23 deputados, foi o primeiro que descartou ser parceiro minoritário ou apoiar um Executivo liderado pelo FG ou o FF, mas tentará formar um bloco de esquerda anti-austeridade para dirigir o país durante os próximos cinco anos, uma opção tem poucas possibilidades de prosperar, segundo os analistas.

O FF, por sua parte, declarou hoje que considera "muito improvável" formar um grande governo de coalizão com o FG, partido com o qual alternou o poder desde a independência da Irlanda há quase um século.

O FG e o FF, rivais desde a guerra civil (1922-1923), repartem cerca de 25% dos votos deste pleito, que lhes dariam 52 e 43 cadeiras, respectivamente, mas parece que não estão dispostos ainda a deixar para trás suas diferenças, que são mais históricas que ideológicas.

O diretor de campanha dos centristas, Billy Kelleher, lembrou hoje que o partido deve pedir a posse como primeiro-ministro de Martin quando, daqui a duas semanas, começar esta nova legislatura.

No entanto, o naufrágio dos trabalhistas, que poderiam ficar com sete assentos, e os maus resultados colhidos pelos democratas-cristãos obrigariam o primeiro-ministro a pactuar também com outras formações e independentes, o que segundo os analistas produziria um governo pouco estável.

A grande coalizão entre democratas-cristãos e centristas é vista como a mais estável, mas Enda Kenny assinalou que, "por cortesia", conversará primeiro com o Partido Trabalhista da vice-primeira-ministra, Joan Burton, parceiros no Executivo durante os últimos cinco anos.

Burton confirmou hoje que sua legenda votará em Kenny na sessão de posse de 10 de março.

"Estamos em território desconhecido por esta nova disposição política. Os partidos tradicionais já não têm o apoio majoritário que tiveram sempre", reconheceu hoje Kelleher.

Os analistas sustentam que o cenário mais provável resultará em que nenhuma das três candidaturas obtenha suficientes apoios das demais forças do Dáil para eleger o primeiro-ministro.

No entanto, acreditam que se algum deles se destacar sobre os demais candidatos se colocaria em uma posição mais sólida para voltar pouco depois a submeter sua proposta de governo à votação.

Se nenhuma dessas opções se cristalizar, a opinião generalizada é que haverá novas eleições gerais dentro de seis meses.

A apuração de votos das 40 circunscrições irlandesas pode terminar na última hora de hoje, depois que em alguma delas foram apresentadas impugnações e tenha sido necessário reiniciar a contagem de sufrágios.

As projeções indicam que, entre as formações minoritárias, a aliança antiausteridade People Before Profit (O Povo Antes do Lucro) alcançará seis cadeiras, o Partido Social-Democrata ficará com três, os Verdes com duas, a Aliança de Independentes com seis e os demais independentes com 16.

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