Reformistas confirmam triunfo absoluto em Teerã com apuração finalizada

Álvaro Mellizo

Teerã, 29 fev (EFE).- Os reformistas e moderados confirmaram nesta segunda-feira o triunfo absoluto em Teerã no pleito ao parlamento e à Assembleia dos Especialistas de sexta-feira passada no Irã com a apuração finalizada, um grande sucesso simbólico apesar dos "principalistas" (conservadores) terem obtido uma maioria de legisladores em todo o país.

Em entrevista coletiva, o ministro do Interior iraniano, Abdolreza Rahmani Fazli, comunicou o fim da apuração para ambas as câmaras na capital, a maior circunscrição do país e onde os reformistas obtiveram 30 de 30 deputados e 15 de seus 16 representantes da Assembleia de Especialistas.

No resto do país ainda falta finalizar a apuração em alguns circunscrições e determinar a repartição de cadeiras, algo que não ocorrerá até terça-feira.

Em termos gerais, os "principalistas" obteriam melhores resultados que os reformistas fora de Teerã, apesar destes também multiplicarem sua presença no interior do país.

A complexa adjudicação de cadeiras no sistema eleitoral iraniano, que exige aos deputados não só ser o mais votados, mas obter um mínimo de 25% dos sufrágios de sua circunscrição para entrar na câmara, dificulta a atribuição de lugares e a adscrição dos legisladores em cada grupo político.

Os candidatos mais votados que ficaram abaixo desse umbral deverão concorrer a um segundo turno, mas em muitos casos competem contra representantes de seu próprio setor.

Segundo as repartições preliminares, os "principalistas" teriam um mínimo de 54 deputados, os reformistas 67 e os independentes 47.

As projeções de deputados que poderiam superar esse umbral e daqueles que concorrerão em segundo turno com outros de seu mesmo setor apontavam que os "principalistas" chegariam pelo menos a cerca de 90 deputados enquanto os reformistas ficariam um pouco abaixo desse limite.

No entanto, a importância dos resultados em Teerã, a circunscrição onde existe mais concorrência e onde houve representantes de todos os setores que não foram vetados pelo Conselho de Guardiães, fez com que todo o mundo avaliasse a votação "reformista" como um êxito.

Inclusive o ministro Fazli usou este resultado para justificar a limpeza do pleito e implicitamente também a importância da presença reformista no novo parlamento.

"Antes das eleições havia rumores de que seriam manipuladas, inclusive me perguntaram se os militares ou outros poderes iam intervir. Mas olhem para as pessoas que foram eleitas, se eu tivesse influenciado no resultado eles nunca seriam os escolhidos", disse.

A Assembleia de Especialistas, que se encarrega de escolher o líder espiritual do país, também refletiu esse triunfo reformista em Teerã, onde arrasaram o ex-presidente Hashemi Rafsanyani, o atual chefe de governo Hassan Rohani e a lista que lideravam.

O resultado final deixou Rafsanyani, hoje principal nome dos reformistas, como o candidato mais votado de todo o país com 2.301.492 votos, quase um milhão a mais que o primeiro classificado dos "principalistas" (conservadores), Ahmad Janati, que obteve 1.321.130 votos e entrou na câmara como o último dos 16 representantes de Teerã.

Rohani obteve 2.238.166 votos e o terceiro lugar na capital, em uma votação que foi interpretada por muitos meios iranianos como um referendo a sua gestão.

Este resultado representa um grande triunfo para o movimento reformista, que não pôde apresentar nenhum candidato próprio para esta câmara, e que portanto decidiu apostar pela lista de Rafsanyani e Rohani que inclui muitos clérigos conservadores, mas que excluía expressamente os mais radicais.

Assim, esta votação deixou de fora da Assembleia de Especialistas vários dos "principalistas" mais duros, como Taqi Mesbah, considerado o "mais conservador dos conservadores" e Mohamad Yazdi, até agora o presidente de dita câmara.

Apesar de Janati, o secretário do Conselho de Guardiães e em última instância o responsável de vetar a presença dos reformistas nestas eleições, conseguir entrar no organismo, a necessidade de brigar até o último momento, e voto a voto para alcançar esse posto, também foi interpretada como um triunfo moral dos reformistas.

Fazli apontou que nas eleições participaram 62% dos quase 55 milhões de iranianos chamados às urnas.

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