Estados Unidos rendem homenagem aos veteranos da Guerra do Vietnã

Washington, 29 mar (EFE).- "Quando voltamos para casa, ninguém nos deu as boas-vindas", lembrou o ex-soldado John Smoot, que visitou nesta terça-feira o memorial dos mortos da Guerra do Vietnã (1955-1975), no dia em que os Estados Unidos homenageiam os veteranos de um conflito que dividiu a sociedade americana.

Dentro das comemorações pelo 50º aniversário da guerra, que começaram em 2012 e acabarão em 2025, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos homenageia os combatentes, a cada ano, no dia 29 de março, para tentar fechar as cicatrizes ainda abertas no dia em que as últimas tropas americanas se retiraram do Vietnã.

"Sinto-me muito melhor agora do que no início. Encontrei todos os meus amigos, os cinco. Pude tocar seus nomes, e agora sei que está bem que eu pudesse retornar. Mas nem sempre pude falar sobre isso, é bastante difícil. É a guerra", explicou à Agência Efe Smoot, emocionado, ao terminar sua visita.

Ajudado por sua mulher e por um funcionário do Serviço de Parques Nacionais, que se encarrega dos memoriais no National Mall de Washington, Smoot toca com os dedos os nomes de seus amigos que morreram durante a guerra que os Estados Unidos foram incapazes de vencer, após perder mais de 58.200 jovens.

Em 1969, no auge da participação dos EUA, que tinha começado cinco anos antes, o exército americano tinha mais de 500 mil soldados desdobrados no Vietnã, que, além de lutar contra as forças vietnamitas, enfrentavam as altas temperaturas da selva e as doenças contagiosas.

A televisão mudou para sempre o paradigma da guerra e mobilizou a opinião pública americana contra a intervenção, já que, enquanto o governo assegurava oficialmente que os Estados Unidos estavam avançando militarmente, as notícias contavam uma história totalmente diferente.

"Frank (Stanton), seus meninos acabam de zombar da bandeira dos Estados Unidos", disse o então presidente, Lyndon Johnson, ao presidente da emissora "CBS" depois que o famoso repórter Morley Safer explicou como um grupo de soldados tinha incendiado com isqueiros 150 lares na aldeia de Cam Ne, matando mulheres e crianças.

Os protestos se estenderam durante anos ao longo dos Estados Unidos a partir de 1964, desde manifestações violentas nas ruas a grandes mobilizações pacíficas, como a que reuniu 500 mil pessoas em Washington em 1971.

"A guerra acabou com muita dor", lembrou à Efe Gerome Karter, um aposentado de Cape Cod, no estado de Massachusetts, que aproveitou sua viagem à Flórida para fazer uma parada em Washington e homenagear os veteranos.

"Nunca houve muito apoio às pessoas que lutaram lá. Muita gente pensou que não deveríamos ter ido. O fato é que as decisões políticas que tomamos precisavam de apoio, porque este é o tipo de país que temos, e este é o memorial que traz uma lembrança sobre essas decisões", acrescentou Karter.

Apesar de ainda existir algum debate sobre o dia em que os veteranos devem ser homenageados, a maioria dos estados o faz em 29 de março, dia em que, no ano de 1973, os últimos prisioneiros de guerra retidos no Vietnã do Norte chegaram a solo americano.

"A cada ano (entre 2012 e 2025) lembramos que faz 50 anos que nossos compatriotas serviram no Vietnã", afirmou Dean Mele, um porta-voz do Pentágono.

O secretário de Defesa, Ashton Carter, e o de Assuntos dos Veteranos, Robert McDonald, deixaram hoje uma coroa de flores no memorial, que dispõe cronologicamente os nomes dos mortos americanos em uma guerra que, no total, causou a perda de 3 milhões de vidas. EFE

ab/rpr

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