Armênia propõe cessação das hostilidades em Nagorno Karabakh

Tbilisi, 4 abr (EFE).- O presidente da Armênia, Serzh Sargsyan, propôs nesta segunda-feira a cessação das hostilidades com o Azerbaijão pelo controle do enclave de Nagorno Karabakh, embora condicionado a que todos os grupos retornem a suas posições iniciais.

"Armênia e Nagorno Karabakh defendem a cessação das ações militares e o restabelecimento do cessar-fogo de 1994 e também o retorno de todas as unidades militares às posições que ocupavam antes de 1 de abril de 2016", disse Sargsyan, segundo informou a presidência armênia.

Caso contrário, advertiu, "uma maior escalada das ações militares pode acarretar em consequências imprevisíveis e irreversíveis, incluída uma guerra a grande escala".

"Isto, naturalmente, influenciará na segurança e estabilidade não só do Cáucaso Sul, mas de toda a região europeia", garantiu o presidente durante a reunião que manteve em Yerevan com os embaixadores da OSCE.

Sargsyan se mostrou disposto a fazer "concessões", mas destacou que o conflito radica em que "ninguém pode obrigar um povo (Nagorno Karabakh) a viver no marco de outro Estado (Azerbaijão) que não reflete os valores e aspirações dessa nação"

"O Azerbaijão deve abrir negociações diretas com as autoridades de Karabakh, independentemente de gostarem ou não", destacou sobre o território montanhoso cuja soberania ambos países disputam desde 1988.

O Azerbaijão, que suspendeu unilateralmente as ações militares no domingo, embora prossigam os combates na zona, se nega a ceder os pontos estratégicos de Nagorno Karabakh que retomou no sábado.

A tomada dessas cinco colinas e duas localidades, que as unidades militares azerbaijanas reconquistaram após a explosão no sábado dos combates mais sangrentos desde a entrada em vigor do cessar-fogo em 1994, permitiu ao presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, clamar vitória.

"Alcançamos uma grande vitória militar. Se os soldados armênios não querem morrer, então que se vão de solo azerbaijano. Nós não capturamos território alheio", disse.

Por outro lado, Sargsyan ridicularizou o sucesso militar azerbaijano e além disso advertiu contra a possível participação da vizinha Turquia, com quem a Armênia não mantém relações diplomáticas, no processo de regulação do conflito.

"A Turquia foi o único país que expressou um apoio incondicional à aventura azerbaijana", lembrou.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou o fim de semana que seu país apoiará "até o final" o Azerbaijão e criticou o papel dos países mediadores, motivo pelo qual Yerevan o acusou de encorajar os agressivos planos militares de Baku.

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