Morre o iraniano que ateou fogo em si mesmo em centro de detenção australiano

Sydney (Austrália), 29 abr (EFE).- As autoridades da Austrália informaram nesta sexta-feira que morreu o refugiado iraniano que ateou fogo em si mesmo há dois dias em protesto pelas condições nas quais são mantidos os imigrantes ilegais no centro de detenção que a Austrália tem em Nauru, um país do Pacífico Sul.

"O homem morreu esta tarde em um hospital de Brisbane", disse em comunicado o ministro de Imigração da Austrália, Peter Dutton, que acrescentou que o governo australiano vai oferecer "apoio apropriado" à família do falecido.

A vítima é um iraniano de 23 anos de idade, chamado Omid, que ateou fogo em seu próprio corpo na terça-feira passada após gritar: "Estamos cansados, esta ação mostrará a vocês o quanto estamos cansados".

A imolação coincidiu com a visita ao centro de detenção de Nauru de três representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que presenciaram os fatos.

Esta não é a primeira vez que imigrantes mantidos nesse centro realizam ações desse tipo devido ao tratamento que recebem e, inclusive, no início deste mês ocorreram protestos muito violentos.

O Acnur critica há muito tempo as condições "desumanas" que existem nos centros de detenção que a Austrália mantém em Nauru e Papua Nova Guiné.

Esses lugares foram criados pelo governo conservador do primeiro-ministro John Howard em 2001 com a chamada "Solução do Pacífico", que buscava desviar para outros países da região o crescente fluxo de "imigrantes ilegais" que tentavam entrar na Austrália.

Em 2008, o governo trabalhista do primeiro-ministro Kevin Rudd fechou esses centros, mas sua sucessora e companheira de partido, Julia Gillard, voltou a abri-los quatro anos depois.

Milhares de imigrantes embarcam todos os anos na Indonésia para pedir asilo na Austrália, mas a maioria deles é interceptada pela guarda costeira australiana e realocada em outros países.

Muitas das pessoas que viajam à Austrália fogem de conflitos como os de Afeganistão, Darfur (Sudão), Paquistão, Somália e Síria, e outros escapam da discriminação, como as minorias rohingya de Mianmar e bidun da região do Golfo Pérsico.

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