Líder da Frente al Nusra anuncia ruptura com a Al Qaeda

Beirute, 28 jul (EFE).- O líder da Frente al Nusra, Abu Mohammed al Julani, anunciou nesta quinta-feira a ruptura com a Al Qaeda e a transformação de seu grupo em uma nova organização, que chamará Frente da Conquista do Levante, em referência à Síria.

Em discurso gravado que foi transmitido pela rede de televisão catariana Al Jazeera, Al Julani explicou que a "nova formação não terá vínculos com lugar estrangeiro algum".

"Esperamos criar um corpo unificado, baseado na 'shura' (consulta, em termos islâmicos), unindo as pessoas para liberar suas terras e dando vitória a sua fé", disse Al Julani, que pela primeira vez apareceu com o rosto descoberto em um vídeo.

O líder da nova organização apontou que também quer cumprir com os desejos dos sírios e expor as decepções sofridas por eles devido à atuação da comunidade internacional. "Com a Rússia e os Estados Unidos à frente, promovendo bombardeios implacáveis e o deslocamento dos muçulmanos do Levante", afirmou.

O líder da Al Qaeda, Ayman al Zawahiri, tinha comunicado hoje em um vídeo que tinha autorizado a Frente al Nusra a romper os vínculos com a matriz caso isso seja benéfico para a unidade dos combatentes do grupo e para a luta armada na Síria.

Al Julani, que apareceu usando um uniforme militar e um turbante branco, agradeceu Al Zawahiri e o "número 2" do grupo, Hassan Abul Jair, por suas posturas. "Eles deram prioridade aos interesses do povo do Levante (Síria), a sua jihad e a sua revolução", afirmou.

Segundo o líder da Frente al Nusra, isso representa um exemplo de como "colocar a necessidade e os interesses de uma comunidade à frente aos do grupo".

Durante seu discurso, de três minutos e meio, Al Julani enumerou os objetivos da Frente da Conquista do Levante: "estabelecer a religião de Alá, tomando como base a sharia (lei islâmica), unificar as facções e libertar o Levante do governo do tirano (Bashar al Assad); proteger a jihad na Síria, servir os muçulmanos, atendendo suas necessidades diárias e garantir a segurança".

No vídeo, Al Julani estava sentado em uma mesa acompanhado de outros dois membros do grupo e leu o discurso que tinha escrito em um papel que segurava em suas mãos.

A Frente al Nusra surgiu no início de 2012 como uma organização vinculada à Al Qaeda no território sírio, depois do início do conflito no país no ano anterior.

Com a aparição em abril de 2013 do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, precursora do grupo Estado Islâmico (EI), e sua posterior expansão, Al Zawahiri nomeou a Frente al Nusra como filial oficial da Al Qaeda e ordenou ao EI que limitasse suas operações ao Iraque, algo que foi desobedecido pela organização.

Durante esse tempo, a Frente al Nusra seguiu a estratégia de se associar às brigadas rebeldes sírias para colaborar nas batalhas contra as forças governamentais de Al Assad.

No entanto, tanto a Frente al Nusra como seus aliados sofreram importantes derrotas recentes impostas pelo regime. As últimas delas na periferia da cidade de Aleppo, a maior do norte do país.

A associação com a Al Qaeda fez, além disso, que a Frente al Nusra fosse excluída junto com o EI das tréguas declaradas neste ano no território sírio entre o governo de Damasco e os grupos de oposição. O grupo também foi vetado de participar das negociações sobre a paz, apesar de ser um dos grupos armados mais fortes.

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