Polícia dos EUA vai divulgar vídeos da morte de homem negro em Charlotte

Washington, 24 set (EFE).- A polícia de Charlotte, na Carolina do Norte, Estados Unidos, anunciou que publicará neste sábado os vídeos da morte do homem negro Keith Lamont Scott pelas mãos de um agente também negro na última terça-feira, um incidente que, desde então, vem gerando fortes protestos na cidade.

Em entrevista coletiva, o chefe de polícia de Charlotte, Kerr Putney, disse que Scott, de 43 anos, "absolutamente estava em posse de uma arma", embora nos vídeos que serão divulgados hoje não é possível vê-lo com ela na mão.

No entanto, o chefe de polícia defendeu que apesar de "não haver provas visuais definitivas" de que Scott estava armado, existem outras provas da cena que evidenciam este fato.

Além disso, Putney justificou a intervenção de seus agentes, na qual encontraram maconha e uma arma no veículo de Scott, o que os levou a concluir que estavam diante de "uma questão de segurança" para eles e os cidadãos.

Pouco após abater Scott a tiros na terça-feira, a polícia afirmou que a vítima se negou a entregar sua arma e representava uma "ameaça de morte iminente" para os agentes, um relato que familiares e testemunhas rejeitam.

O chefe de polícia garantiu que os vídeos provarão que sua versão dos fatos é a correta: que o agente atirou contra Scott porque este se negou a entregar sua arma.

A polícia tinha explicado anteriormente que o policial que atirou contra Scott, Brentley Vinson, não tinha uma câmera pessoal instalada em seu uniforme, mas que os outros agentes que se encontravam no local portavam esse equipamento.

Os vídeos que serão divulgados hoje foram gravados com as câmeras dos outros agentes e com a que estava instalada na viatura policial na qual se deslocavam.

A divulgação dos vídeos era uma das principais demandas dos manifestantes que hoje saíram às ruas pelo quinto dia consecutivo.

Desde o início da manhã, os manifestantes começaram a se reunir de maneira pacífica no centro de Charlotte, sem que tivesse sido registrado até o momento detenções, incidentes e danos materiais, uma tônica que se mantém há dois dias.

Ao meio-dia (horário local), os manifestantes se concentraram em um parque próximo da sede do Departamento de Polícia de Charlotte-Mecklenburg e pediram a divulgação dos vídeos registrados pelos agentes durante o incidente.

Os líderes locais da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP, sigla em inglês) criticaram durante a concentração a mobilização da Guarda Nacional na cidade e que a prefeita, Jennifer Roberts, tivesse assinado a ordem que determina um toque de recolher em Charlotte da meia-noite até as 6h da manhã.

"Nossos cidadãos se sentiram como se este fosse um estado militarizado", afirmou Corine Mack, líder em Charlotte da NAACP.

A polêmica pela divulgação dos vídeos teve um novo episódio nesta sexta-feira, após a veiculação por parte da viúva da vítima de uma gravação com a câmera de seu telefone que registra o momento em que Scott recebe quatro tiros. No entanto, não é possível determinar se a vítima estava ou não armada do ângulo em que foi feita a filmagem.

Por sua vez, o veículo de comunicação local "WSOC" obteve uma fotografia feita pouco depois do incidente na qual é possível observar os agentes fazendo buscas no corpo de Scott e um objeto que aparentemente é a arma que pertencia à vítima.

A candidata à presidência do país pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, cancelou hoje sua visita que estava prevista para Charlotte amanhã para não fazer uso dos recursos da cidade, para onde viajará no domingo da semana que vem.

Seu rival, o republicano Donald Trump, criticou esta mudança da democrata em mensagem no Twitter.

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