Polícia chinesa detém tibetano por mostrar foto de Dalai Lama

Pequim, 28 set (EFE).- A polícia da província chinesa de Sichuan (oeste) deteve um tibetano por participar de uma cerimônia na qual mostrou uma fotografia de Dalai Lama, que é acusado por Pequim de incitar o separatismo do Tibete, informou nesta quarta-feira "Rádio Free Ásia".

Dowa Samdrub foi posto sob custódia policial no condado de Serthar, na província pela qual se estende o planalto tibetano, disse a emissora, com sede nos EUA.

O detido sustentava um retrato de Dalai Lama em sinal de respeito, disseram fontes ligadas ao caso, que acrescentaram que a polícia se apresentou na cerimônia e o deteve.

Samdrub já foi preso por repartir panfletos que pediam a liberdade do Tibete e saiu da prisão em 13 de agosto.

Seu caso engrossa a lista de detidos no Tibete e províncias chinesas com população tibetana (como Sichuan, Qinghai ou Gansu) por apoiar Dalai Lama, exilado em Dharamsala (Índia) desde os anos 50, ou a secessão do Tibete.

Um relatório publicado em maio pela Human Rights Watch (HRW) denunciou que a repressão do governo chinês em áreas tibetanas ficou "implacável", e que as vítimas desta perseguição já não são só monges, mas cantores, escritores e cidadãos ligados à defesa do meio ambiente.

"Simplesmente ter uma imagem ou um texto considerado sensível (pelo regime) no celular ou o computador pode levar a uma dura sentença de prisão", ressaltou o documento.

A HRW também documentou situações de violência policial contra manifestantes ou pessoas em algum ato pacífico, como o caso de vários tibetanos que organizaram um almoço para comemorar o aniversário de Dalai Lama na província de Sichuan e que foram atacados com disparos das forças de segurança em 2013.

Pequim não só não reconhece Dalai Lama, mas o acusa de estar por trás das tensões e protestos independentistas, às vezes em forma de imolações, que existem há anos na Região Autônoma do Tibete e nas vizinhas Sichuan, Gansu e Qinghai.

As tensões viveram seu ponto mais alto das últimas décadas em março de 2008, quando dezenas de pessoas morreram em revoltas que começaram em Lhasa, a capital do Tibete, e se estenderam por várias províncias chinesas.

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