Bombardeios deixam 846 feridos em Aleppo e sistema de saúde entra em colapso

Genebra, 30 set (EFE).- Os últimos bombardeios sobre a zona leste de Aleppo, no norte da Síria, deixaram 846 feridos, um terço deles crianças, em meio ao colapso do sistema de saúde dessa cidade, informou nesta sexta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Até pouco tempo atrás havia oito hospitais que funcionavam em Aleppo, nenhum deles em sua capacidade total". "No entanto, nos últimos dias, os dois maiores hospitais foram atacados deliberadamente, o que reduziu fortemente a capacidade do sistema de saúde", declarou o diretor de Emergências da OMS, o médico australiano Rick Brennam.

O representante da OMS também confirmou que agora restam "menos de 30 médicos" na parte oriental de Aleppo, que seguem prestando atendimento às vítimas, "apesar do tremendo esgotamento físico e emocional que estão sofrendo". "O trabalho que esses profissionais estão fazendo vai além do heroísmo", opinou Brennam.

A OMS, que conhece em detalhe a situação na zona leste de Aleppo através do pessoal médico que continua trabalhando e de ONG locais, afirmou que desde que os bombardeios se intensificaram nas últimas duas semanas, 338 pessoas morreram, incluindo 106 menores de idade.

"Temos quatro reivindicações: que interrompam os assassinatos, que parem os ataques contra centros de saúde e que se permita a remoção de doentes e feridos e a entrada de ajuda", resumiu Brennam.

O representante da OMS sustentou que os médicos e os profissionais de saúde estão prestando atendimento aos feridos sem o material mínimo necessário.

"Venho trabalhando há 23 anos em assistência humanitária e estive em zonas de conflito em quatro continentes, mas raramente vi condições tão graves como a do leste de Aleppo. Isto vai além do imaginável", comentou o especialista.

Brennam disse que há pouco tempo estimava-se que havia 135 leitos disponíveis nos oito centros de saúde do leste de Aleppo, mas os ataques contra os dois últimos hospitais reduziram drasticamente essa capacidade.

O representante da OMS descreveu uma situação na qual civis e crianças precisam receber atendimento no chão, no meio dos corredores dos poucos hospitais que seguem funcionando.

"Quatro crianças morreram nos últimos dias porque a unidade de terapia intensiva (UTI) estava cheia", lamentou Brennam.

A OMS tem equipamentos e provisões médicas posicionadas há semanas nos arredores de Aleppo, que são suficientes para atender 140 mil pessoas. No entanto, por causa dos combates, esse material não pode ser levado até o leste da cidade.

Além disso, Brennam pediu que seja permitido remover os doentes e feridos mais graves, que poderiam ser conduzidos a hospitais do norte da Síria, na região próxima da fronteira com a Turquia, que foram preparados para recebê-los.

A OMS mantém contatos com as autoridades sírias e russas - que oferecem apoio militar ao regime de Bashar al Assad - para que estes permitam que a organização cumpra com sua missão e que os ataques contra hospitais sejam interrompidos, dos quais foram reportados mais de uma centena em toda a Síria.

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