Projéteis atingem várias áreas de Aleppo e matam pelo menos 34 civis

(Atualiza com novos números e declarações)

Susana Samhan.

Beirute, 30 nov (EFE).- Pelo menos 34 pessoas morreram nesta quarta-feira em ataques da artilharia governamental e por disparos de projéteis por parte dos rebeldes em distintas partes da cidade de Aleppo, no norte da Síria, por onde o Exército continuou a avançar.

Desses mortos, 26, entre eles sete menores de idade e cinco mulheres, perderam a vida pela artilharia das forças leais ao presidente sírio, Bashar al Assad, no bairro de Yeb al Quebeh, controlado pelos insurgentes e situado no leste da cidade.

A Defesa Civil Síria, que realiza trabalhos de resgate em lugares fora do domínio do governo, elevou o número de mortos a 45 e ressaltou que em Yeb al Quebeh havia deslocados procedentes de outras partes do leste.

Os também chamados "capacetes brancos" publicaram um vídeo no qual mostraram imagens de momentos depois do ataque, nas quais era possível ver os corpos desmembrados de algumas das vítimas, que permaneciam estendidos na rua. A Defesa Civil afirmou que por esta região passa a estrada que liga a metade oriental da população com a ocidental.

Os combates entre as forças armadas e facções rebeldes e islâmicas continuaram nesta quarta-feira no sudeste de Aleppo, onde os soldados e os milicianos pró-governo avançaram.

As autoridades sírias anunciaram que o Exército e aliados conquistaram o distrito de Al Sheikh Said, no sudeste, segundo a agência de notícias oficial "Sana".

No entanto, o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abdul Rahman, negou, em declarações por telefone à Agência Efe, que os soldados governamentais tenham assumido com o controle total da região, embora controlem amplas partes. Além disso, ocorrem confrontos na área de Al Ameriya, no sul.

O porta-voz do opositor Agrupamento Fastaqim, Omar al Saqar, disse à Efe por telefone que "há uma tentativa dos grupos de Al-Assad e milícias sectárias, sob a cobertura de um fogo intenso, de avançar por vários eixos, o mais importante é el Al Sheikh Said".

Al Saqar, cujo grupo luta em Aleppo, reconheceu que os soldados governamentais avançaram pelo bairro, "embora os revolucionários estejam tentando contornar a situação e tenham recuperado alguns pontos".

Nos últimos quatro dias, os insurgentes, que tinham em seu poder a metade oriental da cidade, assediada pelo Exército desde julho, perderam o controle de 11 distritos do setor norte do leste de Aleppo, que foram tomados pelo Exército e pelas Forças da Síria Democrática (FSD), uma aliança armada curdo-árabe.

Os soldados governamentais também avançaram por alguns pontos do sul e asseguraram o aeroporto e a estrada que leva a ele. Diante deste retrocesso, as brigadas rebeldes carecem de uma estratégia e se limitam a se defender frente o avanço do Exército e de aliados, explicou o membro do departamento político do Movimento Nuredin al Zinki, Yasser Youssef.

"Sendo sincero, não existe nenhuma estratégia. Estamos lutando para defender nosso povo com armas muito simples contra os barris de explosivos e armas químicas", disse Youssef, cuja organização é um dos maiores grupos armados de Aleppo.

O aumento da violência na parte leste originou uma onda de deslocamentos, que já chega a mais de 50 mil pessoas, de acordo aos dados do Observatório.

Mais da metade se dirigia aos distritos orientais que ficam em mãos dos insurgentes e ao bairro de Al Sheikh Maqsud, sob o domínio das Forças da Síria Democrática (FSD), uma aliança armada curdo-árabe. O resto se transferiu a áreas controladas pelos soldados governamentais.

Centenas de deslocados foram detidos pelas autoridades e interrogados, embora alguns tenham sido liberados posteriormente, enquanto outros se encontram em paradeiro desconhecido, acrescentou a ONG. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) calcula que 20 mil pessoas fugiram de suas casas em Aleppo nas últimas 72.

A Coalizão Nacional Síria (CNFROS), a maior aliança política opositora, pediu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que intervenha para deter os massacres "cometidos pelo regime de Bashar al Assad e pelas tropas russas" em Aleppo.

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