Líder opositor não poderá participar de eleições russas após ser condenado

Moscou, 8 fev (EFE).- O líder opositor Alexei Navalni não poderá participar das eleições presidenciais da Rússia em 2018 após ter sido considerado culpado nesta quarta-feira em um julgamento por desvio de propriedade pública.

"Navalni organizou o desvio de fundos" públicos, diz a decisão que foi lida pelo juiz do tribunal da cidade de Kirov, citado por veículos de imprensa locais.

Segundo o juiz, o opositor, que se perfilava como o principal rival de Vladimir Putin no pleito presidencial, "cometeu o crime quando exercia o cargo de assessor do governador da região de Kirov, Nikita Belykh".

Navalni foi considerado hoje culpado de se apropriar de 10 mil metros cúbicos de madeira da empresa estatal Kirovles no valor de 16 milhões de rublos (cerca de US$ 260 mil) em conivência com o empresário Piotr Ofitserov.

A promotoria pediu cinco anos de prisão com pena suspensa para Navalni, de 40 anos e um dos organizadores em 2011 dos maiores protestos antigovernamentais desde a queda da União Soviética.

O opositor, que ganhou fama ao denunciar em seu blog a corrupção na administração pública, já tinha sido sentenciado em 2013 pelo mesmo crime, mas a condenação foi cancelada pelo Supremo depois que o Tribunal Europeu de Direitos Humanos denunciou várias infrações durante o processo judicial.

Precisamente, o opositor denunciou hoje através do Twitter que a condenação repete as mesmas conclusões que foram invalidadas pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

Em todo caso, segundo sua advogada, Olga Mikhailova, o opositor será privado de seu direito a apresentar sua candidatura nas eleições presidenciais, já que a legislação eleitoral não permite candidatos com antecedentes criminais.

Recentemente, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, lembrou que aqueles que são privados de seus direitos fundamentais não podem concorrer nas eleições, mas afirmou esta semana que as presidenciais não estão na agenda de Putin.

O líder russo ainda não anunciou se tentará a reeleição em 2018, após retornar ao Kremlin em 2012 depois de um parêntese de quatro anos como primeiro-ministro, já que a Constituição não permite mais de dois mandatos presidenciais consecutivos.

Navalni, que se declara inocente de todos as acusações e tachou o processo de "político", afirmou que, mesmo condenado, participaria igualmente na campanha eleitoral, porque "isso é o que o povo espera" dele.

Segundo todos os analistas, Navalni é o único dirigente opositor com algum impulso eleitoral, como demonstrou nas eleições para a prefeitura de Moscou em 2012, quando obteve 27,5% dos votos.

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