EUA apoiam Ucrânia e tentam tranquilizar Europa sobre relação com a Rússia

Mario Villar.

Nações Unidas, 21 fev (EFE).- Os Estados Unidos reiteraram nesta terça-feira seu respaldo à Ucrânia frente à Rússia e tentou tranquilizar seus parceiros europeus, garantindo que nenhuma aproximação a Moscou será em seu prejuízo.

Após as mensagens amistosas para a União Europeia (UE) que neste fim de semana o vice-presidente Mike Pence levou a Bruxelas, os EUA usaram hoje o palco das Nações Unidas para insistir nessa aliança e distanciar-se do Kremlin.

"Os EUA acreditam que é possível ter uma melhor relação com a Rússia. (...) Mas uma maior cooperação com a Rússia não pode chegar às custas da segurança de nossos amigos e aliados europeus", ressaltou a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, durante um debate do Conselho de Segurança.

Haley destacou que, embora às vezes possa haver desacordos, a união transatlântica continua sendo firme.

"Ninguém deve interpretar erroneamente as ocasionais diferenças políticas e debates como um sinal de qualquer coisa menos que nosso total compromisso com nossas alianças na Europa", ressaltou.

A sessão do Conselho, dedicada aos conflitos na Europa, se centrou principalmente na situação na Ucrânia, em um momento de incerteza pelos últimos movimentos de Moscou e pelas expectativas de uma possível mudança da postura americana pelas mãos do governo de Donald Trump.

Haley, no entanto, voltou hoje a deixar claro o apoio de seu país a Kiev e manteve o tom duro contra a Rússia que já tinha empregado em sua estreia no Conselho de Segurança.

A embaixadora americana apontou as "tentativas da Rússia de desestabilizar a Ucrânia" como o principal desafio que se vive na Europa, e pediu que Moscou respeite a "soberania e integridade territorial" de seu vizinho.

Haley garantiu que as sanções dos EUA contra a Rússia por seu papel na Ucrânia serão mantidas enquanto Moscou não respeitar os Acordos de Minsk e que as vinculadas a Crimeia não serão suspensas até que devolva o controle da península à Ucrânia.

A reunião do Conselho de Segurança foi impulsionada pela Ucrânia, que neste mês preside o órgão, e que esteve representada por seu ministro das Relações Exteriores, Pavlo Klimkin.

O chefe da diplomacia ucraniana denunciou mais uma vez a "agressão militar" da Rússia e a "ocupação ilegal" da Crimeia e da parte do leste do país.

Por sua parte, a Rússia ressaltou que Kiev deve cumprir com todos os pontos do Acordo de Minsk para pôr fim ao conflito ucraniano e responsabilizou a Otan e seus planos de expansão de minar as possibilidades de unidade no continente europeu.

Sobre a reunião sobrevoou o tempo todo a ausência de Vitaly Churkin, o embaixador russo na ONU durante a última década, que morreu de forma repentina nesta segunda-feira.

O Conselho de Segurança fez hoje um minuto de silêncio em sua memória e todos seus membros, com a exceção da Ucrânia, lhe dedicaram carinhosas palavras de despedida.

Perguntado por seu silêncio, o chanceler ucraniano disse que seu país transfere suas condolências aos familiares de Churkin por sua perda, mas defendeu que Kiev tinha "diferenças fundamentais" com ele por suas posturas e sua forma de defendê-las na ONU.

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