Seul espionou durante anos irmão de Kim Jong-un na Malásia, diz imprensa

Seul, 21 fev (EFE).- Os serviços de inteligência da Coreia do Sul espionaram Kim Jong-nam, irmão do líder da Coreia do Norte Kim Jong-un, durante vários anos na Malásia, antes de seu assassinato no aeroporto de Kuala Lumpur, e chegaram a obter suas impressões digitais e amostras de DNA, informaram nesta terça-feira vários veículos de imprensa locais.

O jornal sul-coreano "Chosun" e o site especializado "NK News" veicularam hoje a notícia baseada em testemunhos de pessoas que ajudaram o governo sul-coreano a obter informações sobre Kim Jong-nam, trabalhadores de um restaurante de Kuala Lumpur que era frequentado com assiduidade pelo primogênito do falecido ditador Kim Jong-il.

"A inteligência sul-coreana me pediu em 2014 que guardasse os pratos, colheres e copos que ele tinha usado, e que os pusesse em uma bolsa e os enviasse à embaixada da Coreia do Sul", afirmou Alex Hwang, um cidadão sul-coreano dono do restaurante Koryowon, ao citado jornal.

O objetivo era conseguir impressões digitais e amostras de DNA de Kim Jong-nam, segundo Hwang, que acrescentou que o irmão do líder norte-coreano visitou seu restaurante em oito ocasiões entre 2012 e 2014.

Hwang mantinha contato permanente com a embaixada sul-coreana, afirmou que agentes deste país espionaram Kim Jong-nam em seu estabelecimento em várias ocasiões e, inclusive, tiveram acesso a seu sistema de câmeras de segurança para captar imagens de seu alvo.

Outro trabalhador do restaurante relatou esta mesma versão dos fatos ao site especializado em informação norte-coreana "NK News", sob a condição de anonimato.

A lei sul-coreana obriga os cidadãos deste país a informar às autoridades sobre qualquer tipo de contato que mantenham com norte-coreanos.

O governo de Seul evitou fazer comentários sobre a informação publicada ao ser consultado por ambos os veículos de imprensa.

As autoridades sul-coreanas confirmaram na quinta-feira passada que o norte-coreano assassinado em um aeroporto da Malásia era Kim Jong-nam, mediante a verificação das impressões digitais da vítima das quais dispunha Seul, e à pedido da Malásia.

Kim Jong-nam morreu no dia 13 de fevereiro quando era levado ao hospital após ser supostamente envenenado por duas mulheres no terminal de embarque internacional do aeroporto de Kuala Lumpur, onde tomaria um voo de volta a Macau, na China, lugar de seu exílio voluntário.

Seul acusou o regime norte-corano de ser responsável pelo aparente assassinato, enquanto o chefe da missão diplomática da Coreia do Norte na Malásia, Kang Chol, pôs em dúvida a investigação das autoridades malaias e as acusou de "conspirar e trabalhar para forças externas".

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