Ex-diretor do FMI é condenado a 4 anos e 6 meses por fraude na Espanha

Madri, 23 fev (EFE).- O ex-diretor-gerente do FMI Rodrigo Rato foi condenado nesta quinta-feira a quatro anos e seis meses de prisão na Espanha por apropriar-se indevidamente do patrimônio da entidade financeira Caja Madrid através do sistema dos cartões ocultos ao fisco durante sua etapa como presidente da entidade.

A Audiência Nacional da Espanha, onde o caso foi julgado, também condenou seu antecessor no cargo, Miguel Blesa, a seis anos pelos mesmos motivos.

Entre 1999 e 2012, os dois condenados, junto a outros 63 diretores da Caja Madrid, gastaram com esses cartões mais de 15 milhões de euros em atividades pessoais.

Entre as despesas realizadas, se destacam os 3 milhões de euros gastos em restaurantes, 2 milhões em saques em dinheiro, mais de 1,5 milhão em deslocamentos e viagens, mais de 1 milhão em lojas de departamento, cerca de 800 mil em hotéis e 700 mil em roupas e complementos.

Na sentença desta quinta-feira, consta que a Caja Madrid contava com esses cartões para complementar diárias de pessoal com um limite de dinheiro, mas quando Blesa chegou à presidência, ficou determinado que os diretores que dispunham deles não precisariam justificar os gastos, o que demonstra, segundo o tribunal, um "uso particular" contra o patrimônio da entidade financeira.

Sobre o regime fiscal destes cartões, a sentença considera comprovado que o dinheiro do qual dispunham os usuários não era incluído nas relações contratuais, nem figurava no certificado de ativos proporcionado pela Caja Madrid a cada ano.

Entre os usuários dos cartões estavam representantes dos principais partidos espanhóis (o conservador PP e o socialistas PSOE), assim como sindicalistas e dirigentes empresariais, que estavam nos órgãos de direção da Caja Madrid, uma entidade pública.

A Caja Madrid foi uma das sete entidades que se fundiram em 2011 para dar lugar ao Bankia, já presidido por Rodrigo Rato, ex-ministro da Economia e ex-vice-presidente do governo espanhol dirigido pelo conservador José María Aznar (1996-2004).

Essa entidade teve que receber em 2012 cerca de 22 bilhões de euros de recursos públicos para fazer frente ao rombo financeiro e após uma polêmica oferta de ações na Bolsa de Valores, que também está sendo investigada pela Justiça.

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