Apesar da violência, oposição síria garante não sairá do processo de paz

Genebra, 25 fev (EFE).- O chefe da delegação opositora síria nas negociações de paz de Genebra, Nasser al-Hariri, garantiu neste sábado que seu grupo não vai abandonar o processo diplomático, após ataques realizados no país e que colocam em situação delicada a continuidade da trégua em vigor desde o final de dezembro.

"Permaneceremos no processo político para cumprir nossos objetivos e não permitiremos qualquer tentativa de fazer isso fracassar", disse o líder opositor em entrevista coletiva.

Frente às exigências do chefe da delegação do governo sírio de que todos os grupos representados no grupo opositor recriminassem de maneira pública e explícita esses ataques, Hariri manifestou sua condenação "ao terrorismo em todas suas manifestações".

"Com certeza condenamos o terrorismo, como já fizemos inumeráveis vezes", afirmou, após mencionar que em vários lugares da Síria diferentes grupos rebeldes combatem à organização jihadista Estado Islâmico (EI) e outras semelhantes.

Os atentados aconteceram no início do dia em instalações militares e da Polícia, causando a morte de dezenas de pessoas, entre elas importantes funcionários dos órgãos. No entanto, um membro da delegação opositora disse, na mesma entrevista coletiva, que existem indícios que levam a acreditar que o governo teve participação nos atentados de Homs.

"É estranho que isto aconteça em uma área com grande segurança, que é muito vigiada e onde uma operação assim não poderia ser feita a menos que existissem facilidades para o acesso", comentou o coronel Fateh Hassoun, representante de uma facção armada que combate na Síria.

Segundo ele, na região afetada "não existe registro de atividade de grupos terroristas" e que também é suspeito que alguns militares mortos sejam pessoas com possíveis envolvimentos em crimes contra a população civil e que eram suscetíveis a um futuro julgamento na Justiça Internacional.

Depois dos ataques de Homs, foram reportados bombardeios aéreos na periferia de Damasco e na província de Idlib, controlada praticamente em sua totalidade pelos rebeldes sírios.

O chefe da delegação opositora síria nas negociações de paz sustentou que desta maneira o regime sírio tentou repreender e abalar as conversas de paz, que foram retomadas em Genebra após uma pausa forçada de dez meses pelos desacordos insolúveis entre as partes beligerantes.

"O governo esta se vingando com ataques contra civis, mas nós, como grupos militares, queremos mostrar à comunidade internacional que optamos pela busca de uma solução política", garantiu, por sua vez, o coronel Hassoun.

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