Morre guarda nazista de Auschwitz condenado à prisão em julgamento em 2016

Berlim, 1 jun (EFE).- O guarda do campo de extermino nazista de Auschwitz, na Polônia, Reinhold Hanning, morreu aos 95 anos em Detmold, na região central da Alemanha, a mesma cidade onde foi condenado em junho de 2016 a cinco anos de prisão por cumplicidade nos crimes do regime hitlerista.

Hanning morreu na última terça-feira, informou nesta quinta-feira o seu advogado, quando o guarda de Auschwitz ainda tinha uma resolução pendente por parte do Supremo Tribunal sobre o recurso apresentado contra essa sentença, tanto pela defesa como pela acusação particular.

A morte de Hanning acontece um ano depois que foi concluído o julgamento contra ele, um dos últimos grandes processos instruídos na Alemanha pelos crimes do nazismo, amparado no princípio de que os assassinatos não prescrevem.

Hanning foi condenado a cinco anos por cumplicidade na maquinaria da morte de Auschwitz, onde serviu como membro da SS durante alguns meses.

Auschwitz foi o maior e mais fatal campo de extermínio nazista, construído na Polônia ocupada pelo Terceiro Reich e onde estima-se que foram assassinados mais de 1 milhão de pessoas.

Ninguém que serviu nesse lugar pode alegar que não viu suas câmaras de gás, seus crematórios e que também não viu alguns dos prisioneiros confinados no recinto morrerem de fome ou de doença, conforme constatou a sentença judicial.

Além disso, a condenação explicitava que Hanning não estava sendo condenado como parte de um coletivo, mas por sua culpa individual no Holocausto.

O antigo guarda da SS, que tinha 23 anos quando começou a servir em Auschwitz, foi declarado culpado de cumplicidade na morte dos 170 mil presos assassinados no campo de concentração entre janeiro de 1943 e junho de 1943.

Hanning assistiu a todo o processo em uma cadeira de rodas e ouviu em silêncio a sentença. No entanto, em uma das audiências, chegou a admitir sua vergonha por não ter intervindo diante do horror que presenciou em Auschwitz.

A Justiça admitiu como atenuantes sua idade avançada, o tempo transcorrido desde os fatos - mais de 70 anos - e também o arrependimento demonstrado aos sobreviventes e familiares das vítimas que formavam a acusação particular.

O julgamento de Hanning se insere nos processos tardios contra os chamados cúmplices do nazismo, uma possibilidade que foi aberta por causa da condenação ditada em Munique, no sudeste da Alemanha, em 2011 contra o ucraniano John Demjanjuk, que havia sido extraditado dos Estados Unidos, onde se exilou após a derrota do Terceiro Reich alegando ter sido vítima dos nazistas.

A extradição de Demjanjuk esteve precedida por uma batalha judicial em que seus familiares esgotaram todos os recursos contra sua entrega às autoridades alemãs.

Demjanjuk, antigo guarda voluntário do campo Sobibor, também na Polônia, foi julgado por cumplicidade em 28 mil assassinatos nesse campo de concentração nazista.

Assim como Hanning, Demjanjuk morreu alguns meses depois de ouvir a sentença de cinco anos de prisão, sem ter sido enviado para uma penitenciária para cumprir sua pena.

Em ambos os casos, como em outros processos abertos nos últimos anos na Alemanha por acusações similares, as condenações são meramente simbólicas, devido à idade avançada dos processados.

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