Negociações sobre zonas de segurança na Síria se estenderão durante a noite

Astana, 4 jul (EFE).- As negociações para determinar a criação e os detalhes das zonas "de rebaixamento da tensão" na Síria se estenderão durante a noite e o dia de amanhã em Astana para tentar chegar a um acordo, disse nesta terça-feira o chefe da delegação russa, Alexander Lavrentiev.

Em entrevista coletiva, o representante russo nas negociações entre as partes sírias para buscar uma solução para conflito reconheceu que existem dificuldades na demarcação das zonas de segurança na Síria.

"Com certeza há certas dificuldades não só na demarcação, mas na preparação dos documentos que determinam a criação das forças de controle da trégua em tais zonas, o status destas forças, as regras do emprego de armas e novas normas adicionais", indicou Lavrentiev.

O enviado russo - cujo país, junto com a Turquia e o Irã são os fiadores do acordo de cessar-fogo declarado na Síria em dezembro do ano passado - apontou que ainda é cedo para falar de quando poderão começar a funcionar essas zonas e que tudo dependerá das conversas de amanhã, quando acontece a reunião plenária das partes.

Lavrentiev não informou se haverá observadores russos como parte das forças de supervisão da trégua nas zonas de distensão, pois é algo de "responsabilidade do Ministério de Defesa".

Ainda assim, afirmou que está prevista "a presença da polícia militar russa".

Por outra lado, dadas as diferenças existentes até então, não excluiu a possibilidade de se chegar a um acordo parcial sobre algumas zonas de segurança ao final das negociações em Astana, caso não seja possível um acordo global.

"Todas as opções são possíveis", respondeu Lavrentiev, que disse que as linhas de contato e fronteiras da segunda e terceiras áreas de rebaixamento de tensão estão "quase" decididas, mas ainda há assuntos a resolver na região de Idlib e "temos certas reservas com a zona sul".

"Dependendo da data em que assinarmos o documento sobre a criação das zonas, acredito que seja possível dar passos concretos sobre o desdobramento de forças em aproximadamente duas ou três semanas", acrescentou.

Por sua vez, a oposição síria reiterou sua rejeição à participação do Irã no controle do cessar-fogo em uma das áreas de distensão.

"Não, não estamos de acordo. Toda a oposição rejeita a presença iraniana. Hoje notificamos o enviado do secretário-geral da ONU, Staffan de Mistura, que caso haja capacetes azuis iranianos na Síria nós lutaremos", disse Yaher Abdrahim, membro da delegação opositora.

A quinta rodada de negociações entre as partes sírias em conflito começou nesta terça-feira em Astana, com a Rússia (aliada de Damasco), o Irã, que tem desdobradas tropas de elite, e a Turquia, que apoia a oposição, como países fiadores do cessar-fogo declarado na Síria em 30 de dezembro.

Nove representantes da oposição armada síria participam da reunião, cujo objetivo é definir o estabelecimento das zonas de segurança na Síria estipuladas pelos três países fiadores.

São quatro áreas de segurança que não poderão ser palco de ações militares e tampouco poderão ser sobrevoadas pela aviação de nenhuma das partes envolvidas no conflito.

Apesar do acordo sobre sua criação, alcançado em maio em Astana, ainda estão pendentes sua delimitação geográfica e os mecanismos para garantir seu funcionamento, que incluem o desdobramento de forças para supervisionar o cumprimento do cessar-fogo.

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