Lukashenko diz que mantém pena de morte porque é a vontade do povo

Moscou, 5 jul (EFE).- O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, disse nesta quarta-feira que ainda não é possível abolir a pena de morte no país porque o povo votou em um referendo por mantê-la.

"Estão pedindo para abolir a pena de morte. Escutamos estas recomendações, e não só as escutamos. No entanto, nenhum Estado pode agir contra a vontade de seu próprio povo quando uma maioria esmagadora votou a favor de mantê-la em um referendo", afirmou segundo publicou a agência local "Belta".

"Nenhum país civilizado europeu pode fazer isso", afirmou Lukashenko, ao discursar hoje em Minsk na inauguração da 26ª sessão da Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Além disso, Lukashenko se mostrou disposto a estudar a questão, ainda que tenha pedido aos países europeus que não exijam "pressa" com o assunto.

O presidente disse que seu país foi alvo de críticas por esta questão em numerosas ocasiões desde sua independência em 1991, e por isso realizou uma consulta popular.

"Sendo um Estado jovem, nós seguimos suas recomendações, fizemos o referendo e tivemos os resultados. Agora necessitamos de tempo para aboli-la. Por isso, por favor, não nos exijam pressa. Sabemos quais são os requisitos. Tenho certeza que gradualmente encontraremos uma solução para este problema", sublinhou.

Belarus, o único país da Europa que ainda aplica a pena de morte, realizou em 1996 um referendo, no qual 80,5% dos consultados se pronunciaram por conservar a pena capital.

A União Europeia e novas instâncias do continente condenaram a última execução feita no país em maio e voltou a pedir a Minsk a abolição deste castigo se quiser continuar se aproximando do bloco comunitário.

Há algumas semanas, por ocasião de uma visita a Madri do ministro de Relações Exteriores do país, Vladimir Makei, o titular espanhol, Alfonso Dastis, lhe pediu uma moratória sobre a pena de morte para "facilitar a normalização das relações" com toda a UE.

Segundo o Ministério de Justiça de Belarus, 245 pessoas foram condenadas à morte entre 1994 e 2014, enquanto as ONGs de direitos humanos acreditam que foram executadas cerca de 400 pessoas no país desde que este obteve sua independência em 1991, de acordo com as cifras recolhidas pela Anistia Internacional.

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