Biografia não autorizada conta trajetória e vida pessoal de Marcelo Odebrecht

Waldheim García Montoya.

São Paulo, 6 jul (EFE).- A trajetória de um dos protagonistas do escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava Jato virou livro: "O Príncipe - uma biografia não autorizada de Marcelo Odebrecht", escrito pelos jornalistas Regiane Oliveira e Marcelo Cabral, conta em detalhes a ascensão e queda do líder da maior construtora do país.

Lançada nesta quinta-feira em São Paulo, com o selo da editora Astral Cultural, a obra apresenta um perfil pouco conhecido sobre o empresário, que sempre manteve uma vida particular longe dos holofotes.

Com amplas ramificações em operações no país e no exterior, o grupo Odebrecht se consolidou como referência nos setores de engenharia e infraestrutura na América Latina e na África, além de se expandir por novas áreas, como agricultura e petroquímica, entre outros diversos negócios.

Mas quando o império Odebrecht, liderado por Marcelo, crescia cada vez mais, um escândalo de corrupção que abalou a política do país, descoberto na Petrobras, revelou a outra cara do empresário.

No dia 19 de junho de 2015, quando sua rotina matinal foi interrompida pelos agentes da Polícia Federal em sua residência, Marcelo Odebrecht viu a vida tomar outro rumo e agora, dois anos depois e ainda na prisão, é uma das principais chaves da Operação Lava Jato.

Em 2016, já com a delação premiada encaminhada para tentar a redução da pena, a Astral Cultural buscou os jornalistas Cabral e Oliveira, de ampla trajetória na área econômica, para escrever a biografia não autorizada de Marcelo Odebrecht.

"Ele (Marcelo) negociava a delação, e comprovamos que os rumores eram verdadeiros. Ele era o personagem-chave da Lava Jato e, como Regiane e eu já tínhamos trabalhado lado a lado, decidimos começar o livro", comentou Cabral.

Para o coautor da publicação, o trabalho a duas mãos a partir do jornalismo econômico de ambos e "a visão acadêmica e sociológica" de Oliveira foram "complementares" e deram ao livro a essência que parte do título, 'O Príncipe', apelido do empresário.

O autor definiu o neto de Norberto Odebrecht - fundador do grupo - como um "anti-Eike Batista", em referência ao empresário carioca envolvido na Lava Jato e que responde judicialmente em prisão domiciliar.

"Marcelo era o oposto de Eike, odiava aparecer. Poderia ter comprado um Lamborghini, mas até o dia de sua prisão sempre conduziu um Meriva. Essa atitude de não expor a família foi herdada de Norberto, seu ídolo. Marcelo, inclusive, era mais próximo do avô do que de seu próprio pai, Emilio", disse Cabral, que reconheceu que "foi difícil o acesso às fontes, um trabalho de formiga, com a criação de uma rede de fontes, de várias camadas, mas sem vetos".

De acordo com o jornalista, o livro "descreve esse trabalho porque ele (Marcelo) esconde muito a vida pessoal e isso cria mitos e lendas".

A 'TEO' (tecnologia empresarial Odebrecht), como é conhecido o método de trabalho implantando pelo avô nos anos 40 e "refinado" nos anos 70, como fez a japonesa Toyota, "é amparada mais no âmbito cultural e no filosófico", detalhou Cabral.

Nesse palco, o impacto dos escândalos de corrupção "gerou uma decepção quase que religiosa" nos funcionários, que tinham levado a 'TEO' para o entorno familiar, acrescentou.

De origem humilde, a família Odebrecht chegou da Alemanha e se instalou no início do século XX no norte do estado de Santa Catarina, no Rio de Janeiro, no Recife e, finalmente, em Salvador, na Bahia, onde começou o império da construtora.

A família decidiu não participar do livro e os dois jornalistas buscaram outros recursos.

"A autorização do juiz Sergio Moro para deixar Marcelo falar era complicada e demoraria muito, por isso tivemos que recorrer aos registros da sua delação e a vozes em 'off'", completou Cabral, que adiantou que com tantos personagens surgidos da Lava Jato, ele e Oliveira já estão pensando em outro trabalho similar.

"Agora tampouco sabemos o que será da vida de Marcelo, ele é um homem com menos de 50 anos. Em 2018, sairá da prisão para a prisão domiciliar, e sua pena pode ser reduzida progressivamente para, em mais ou menos sete anos e meio, readquirir a liberdade plena e voltar à sociedade, como consultor ou empresário", disse o coautor. EFE

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