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Afeganistão visa reforma no Ministério do Interior para gerar estabilidade

09/07/2017 09h19

Cabul, 9 jul (EFE).- O presidente afegão, Ashraf Ghani, declarou neste domingo que a reforma do Ministério do Interior é um passo "chave" para alcançar a "estabilidade" no Afeganistão, mas que avisou que a tarefa será difícil e terá muitos detratores.

"A nossa maior prioridade no setor da segurança é a reforma do Ministério do Interior. Esta reforma será difícil e haverá uma resposta negativa, mas é a chave para a estabilidade", afirmou Ghani em um encontro internacional com doadores em Kabul.

A reunião pretende analisar os avanços fatos pelo governo afegão para o desenvolvimento e a estabilidade do país, além de verificar um bom uso dos fundos habilitados pela comunidade internacional para esse fim.

Ghani já tinha reconhecido recentemente que foram perdidos "milhões de dólares e assistência técnica" devido à corrupção presente em todos o setor público, motivo pelo qual enfatizou a urgência de uma reforma interna que não agradaria a muitos.

Segundo o governante, as autoridades afegãs já fizeram uma reforma "substancial" do Ministério de Defesa, o que busca fazer com que as Forças Armadas alcancem "logo os padrões internacionais", e esperam aplicar medidas similares com o do Interior para que haja uma mudança positiva na polícia.

"O primeiro dever do governo é proporcionar segurança aos seus cidadãos", enfatizou Ghani, que disse que ainda está muito vivo na mente de todos o atentado de maio em Cabul com um caminhão cheio de explosivos que deixou 150 mortos.

O presidente afegão citou também a corrupção, a má gestão e a impunidade como os "obstáculos fundamentais para alcançar o tipo de país que os cidadãos desejam". "As reformas não são uma opção, são uma obrigação", sentenciou o governante.

O Afeganistão atravessa um de seus períodos mais violentos desde a queda do regime talibã com a invasão americana em 2001, uma situação que piorou de maneira progressiva por causa do fim da missão de combate da Otan em 2015.

Desde então, os insurgentes ganharam terreno em diversas partes do Afeganistão e atualmente têm influência e disputam com o governo pelo menos 43% do território, segundo dados de Washington.