Itália impede que barco da MSF desembarque resgatados em Lampedusa

Roma, 6 ago (EFE).- As autoridades da Itália impediram neste domingo uma embarcação da ONG Médicos Sem Fronteiras, que não assinou o código de conduta imposto pelo país para regular a gestão da imigração, de desembarcar 127 pessoas resgatadas no Mediterrâneo na ilha de Lampedusa.

Os 127 resgatados, no entanto, foram levados a um porto de Lampedusa por duas embarcações da Guarda Costeira italiana, como explicou a ONG no seu perfil do Twitter.

A embarcação Prudence foi parada a 33 milhas da ilha italiana por dois barcos da Guarda Costeira que realizaram a transferência das pessoas em condições de segurança, para depois levá-las ao porto italiano, detalhou a imprensa local.

A MSF é uma das ONGs que não assinaram o código de conduta, proposto pela Itália e que conta com o apoio da UE, que proíbe, entre outras coisas, as organizações humanitárias de ter acesso a águas territoriais da Líbia, fazer-se detectar por radares ou emitir sinais luminosos que indiquem sua posição aos traficantes de pessoas.

Além disso, exige transparência nas suas fontes de financiamento e que permitam o acesso de oficiais armados aos seus barcos, um ponto que a MSF rechaçou.

"A MSF não tem problema com a presença de funcionários a bordo, mas sem armas. Trabalhamos diariamente em todas as partes do mundo para impedir que armas entrem, por exemplo, em nossos hospitais (...)", explicou o diretor-geral do Médicos Sem Fronteiras na Itália, Gabriele Eminente, em um vídeo publicado no Twitter.

Eminente afirma que a MSF "continuará salvando vidas no mar "e lembra que nos últimos dois anos e meio a ONG ajudou "quase 70 mil pessoas".

Em nota, A MSF esclarece que:

Na verdade, a Itália não impediu que MSF desembarcasse 127 pessoas resgatadas em Lampedusa. Ocorre que o porto de Lampedusa é raso para o calado do Prudence, o navio de MSF que levava os sobreviventes e que tem capacidade para 500 pessoas. Então, como acontece frequentemente, os resgatados foram transferidos para um barco da Guarda Costeira italiana, sob a orientação do Centro de Coordenação de Resgate Marítimo de Roma (CCRM). O navio de MSF seguiu para a Sicília, também na Itália, para reabastecer e voltar ao Mediterrâneo Central. Todos os resgates feitos por MSF nessa região ocorrem em coordenação com o CCRM, e assim continua a acontecer.


 

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