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Exército birmanês contabiliza 52 mortos e 192 desaparecidos no oeste do país

27/09/2017 22h48

Bangcoc, 28 set (EFE).- O exército de Mianmar contabilizou 52 corpos recuperados e 192 desaparecidos, todos birmaneses da minoria hindu, no oeste do país, onde os militares realizam uma operação após o ataque de insurgentes rohingyas.

As forças armadas e o governo de Mianmar atribuem os assassinatos ao grupo insurgente Exército de Salvação Rohingya de Arracão (ARSA), ainda que estes tenham negado qualquer implicação nos incidentes em um comunicado postado no Twitter na noite de quarta-feira.

O grupo rebelde exigiu ainda que se abra uma investigação independente para esclarecer a autoria das atrocidades "e abusos contra os direitos humanos" ocorridos.

"As forças de segurança continuam a busca dos desaparecidos", indicou, por sua parte, o governista Comitê de Informação, que depende do escritório da conselheira de Estado, a vencedora do Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi.

Os corpos foram encontrados em pelo menos três valas comuns no distrito de Maungtaw, norte do estado de Rakhine (antigo Arracão), região da qual 450.000 membros da minoria rohingya fugiram para Bangladesh desde o último dia 25 de agosto.

Nesse dia, milhares de membros do ARSA atacaram 30 postos policiais e desencadearam a resposta contundente do exército de Mianmar.

Os soldados se mantêm desde então posicionados na região e impedem o acesso a meios de comunicação e organismos internacionais.

Desde o início dos enfrentamentos, o ARSA e as forças armadas trocaram acusações sobre violações dos direitos humanos que não puderam ser verificadas de maneira independente.

Refugiados rohingyas em território bengalês denunciaram ter sofrido ou presenciado ataques e violações por parte das forças de segurança birmanesas, às quais também acusam de queimar suas casas.

As Nações Unidas pediram ao governo birmanês a cessação da resposta militar, qualificada pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos de "limpeza étnica de manual".

Além disso, cerca de 30.000 indianos e budistas foram alojados em acampamentos para deslocados internos, mantidos pelo governo.

Estes últimos também asseguram ter presenciado assassinatos e coações para abandonar seus lares realizadas supostamente por membros do ARSA, catalogados como terroristas pelas autoridades locais.

Mais de um milhão de rohingyas moravam em Rakhine antes do surto de violência de 2012, segregados pelo Estado, segundo a Anistia Internacional, sem direito à cidadania e com severas barreiras para o acesso à saúde e outros serviços básicos.

Após quase meio século de ditadura militar, Mianmar é comandado desde 2016 por um governo civil liderado por Aung San Suu Kyi, cuja fama de hbroína da democracia conquistada durante a época das juntas ficou fortemente corroída pela chamada "crise rohingya".