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Inventor dinamarquês admite ter esquartejado jornalista sueca em submarino

30/10/2017 12h56

Copenhague, 30 out (EFE).- O inventor Peter Madsen admitiu que foi ele quem esquartejou a bordo de seu submarino a jornalista sueca Kim Wall, desaparecida em meados de agosto e cujos restos apareceram no mar Báltico, informou nesta segunda-feira a polícia dinamarquesa.

Madsen também mudou seu depoimento sobre a morte de Kim, que segundo ele tinha sido provocada pela queda acidental da escotilha do submarino, e agora afirma que ela morreu por intoxicação de monóxido de carbono enquanto ele estava na cobertura do navio.

A polícia dinamarquesa localizou de forma separada nos últimos meses partes do corpo da jornalista, vista pela última vez na noite de 10 de agosto a bordo do Nautilus, submarino de fabricação caseira no qual iria entrevistar Madsen, que está em prisão preventiva sob as acusações de homicídio e tratamento indecente de cadáver.

As revelações ocorrem depois de o inventor pedir para ser interrogado novamente após as descobertas da polícia neste mês: a suposta serra usada para cortar o corpo em pedaços, uma bolsa com a roupa de Kim e uma faca, outra com a cabeça, e as pernas amarradas a pedaços de metal para aumentar o peso.

Embora ainda não tenha sido divulgado o resultado da autópsia com as partes encontradas e nem a causa da morte tenha sido determinada, a polícia já tinha informado há três semanas que o crânio não tinha fraturas nem sinais de violência.

Madsen, que se declara inocente da acusação de homicídio, aceitou voluntariamente que sua prisão preventiva fosse prolongada.

A promotoria decidiu acrescentar a acusação de "tratamento genital distinto ao coito em circunstâncias agravantes" contra ele, pelas 14 lesões com faca causadas no abdômen do corpo de Kim.

Durante as últimas semanas, a polícia realizou várias buscas na baía de Køge, ao sul de Copenhague e onde o inventor jogou o corpo cortado em pedaços, mas não encontrou os braços da jornalista nem os telefones celulares.

Kim e Madsen ficaram desaparecidos várias horas até que o inventor foi visto novamente no dia 11 de agosto em Køge, onde foi resgatado antes do submarino afundar.

Madsen argumentou inicialmente ter atirado a jornalista no mar poucas horas depois do início da viagem e que o submarino afundou devido a uma falha, embora posteriormente tenha mudado seu depoimento e a polícia tenha descoberto que o afundamento do submarino foi proposital.

Em sua segunda versão, o inventor argumentou que a morte foi acidental após a jornalista ter sido atingida pela escotilha na cabeça e afirmou que depois navegou horas sem rumo pensando em se suicidar.

A investigação policial já tinha concluído anteriormente que o corpo foi esquartejado de forma proposital, que o tronco tinha canos de metal fixados e que apresentava ferimentos para extrair o ar do seu interior para que afundasse e não retornasse à superfície.

No computador do inventor foram encontrados vídeos de mulheres executadas e torturadas, que ele afirma que não são seus.

A polícia informou nesta segunda-feira que a investigação está quase terminada e que reservou de forma provisória oito dias para o julgamento, que pode acontecer entre março e abril do ano que vem. EFE

alc/cs