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Macron defende operação militar contra traficantes de imigrantes na Líbia

29/11/2017 19h41

Paris, 29 nov (EFE).- O presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu nesta quarta-feira uma operação militar e policial para desmantelar as redes de tráfico de imigrantes na Líbia e pediu reforço para a intervenção contra o jihadismo no deserto do Sahel (África oriental).

Macron, que participa da cúpula da União Europeia (UE) e da União Africana (UA) em Abidjan (Costa do Marfim), afirmou que o que acontece na Líbia "é um crime contra a humanidade" e que por isso "é preciso atuar, não só denunciar".

O presidente francês não detalhou as medidas a adotar, mas esclareceu que não se trata de "declarar guerra" na Líbia, segundo indicou em entrevista concedida aos canais públicos "France 24" e "RFI" na embaixada francesa nessa cidade marfinense.

Macron pediu "sanções no quadro da ONU contra os traficantes", que em muitos casos estão associados a "redes terroristas" e explicou que outro dos assuntos nos quais trabalham a UE e a UA é "facilitar o retorno desde a Líbia aos seus países" dos imigrantes que não têm oportunidade de pedir asilo na Europa.

Em relação à luta contra o terrorismo, o chefe de Estado se referiu à Operação Barkhane, na qual estão mobilizados cerca de 3 mil soldados para combater o islamismo radical no Sahel, que inclui Mali, Burkina Faso, Chade, Mauritânia e Níger.

Para Macron, as forças destes países que lutam no Sahel estão "organizadas", mas não "tão rápido" como seria desejável, por isso é necessária "uma presença forte" de soldados no centro do Mali e na área fronteiriça entre Burkina Faso, Mali e Níger.

Sobre a relação entre a UE e a África, o presidente francês constatou que há "uma desconfiança" dos africanos em relação aos europeus e, consequentemente, aos franceses.

"Sei que buscamos durante um tempo nossos próprios interesses, sei dos erros que cometemos, mas também dos acertos", disse Macron, que também afirmou que o rosto da África é "70% de jovens" e não o de seus dirigentes que lutaram contra a colonização.

Além disso, o presidente se referiu ao equilíbrio de poderes no Oriente Médio entre a Arábia Saudita e o Irã e revelou que viajará a Teerã em 2018 para complementar o acordo nuclear com outro relacionado a testes de mísseis e para analisar o papel do regime iraniano na região.

Sobre a Arábia Saudita, Macron ressaltou que o príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman, se comprometeu a controlar as organizações que financiam as redes terroristas.