Kuczynski pede que congressistas não apoiem estratégia baseada em "mentira"

Lima, 21 dez (EFE).- O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, pediu nesta quinta-feira aos congressistas do país, que decidirão nesta hoje o pedido de sua destituição, que não apoiem a estratégia de um setor baseado em "uma mentira", ao reiterar que não mentiu, nem cometeu atos de corrupção.

Durante sua defesa do pedido de cassação, o chefe de Estado afirmou que "há aqueles pretende convencê-los de uma mentira que não existe", mas que "a estratégia é óbvia, não se quer discutir porque a afirmação é frágil, não está corroborada, contrastada, nem provada", disse em referência aos supostos pagamentos recebidos da Odebrecht.

A permanência de Kucyznski na presidência foi seriamente questionada depois que na semana passada foi informado que uma empresa sua ofereceu serviços de consultoria à empreiteira brasileira entre 2004 e 2007.

"Não está em jogo a minha permanência no cargo, está em jogo a estabilidade democrática, não apoiem uma cassação sem sustentação, porque o povo não esquece, nem perdoa", expressou Kuczynski no plenário do Congresso.

"Os me acusam não aceitam que suas denúncias sejam submetidas a corroboração, a um devido processo, que são os pilares da democracia", em referência à maioria opositora no Parlamento formada pelo partido fujimorista Força Popular, de sua ex-adversária eleitoral Keiko Fujimori.

"Não sou corrupto, não menti, jamais favoreci nenhuma empresa ou pessoa durante a minha gestão como ministro de Energia e Minas, de Economia ou como primeiro-ministro, também não o fiz desde que me tornei presidente", afirmou.

O chefe de Estado explicou que é proprietário da empresa Westfield Capital, dedicada à assessoria financeira, desde 1992 e que, quando foi ministro do governo de Alejandro Toledo (2001-2006), a companhia foi administrada por seu ex-sócio Gerardo Sepúlveda.

Kuczynski explicou que foi Sepúlveda quem assinou e geriu um contrato de assessoria financeira da Odebrecht e que ele nunca soube do mesmo porque levantou uma "muralha chinesa" para distanciar-se da atividade privada de sua companhia.

"Existem provas que demonstram que Gerardo Sepúlveda era o gerente da companhia, que assinava os contratos e desenvolvia os serviços, assim reconhece a Odebrecht", indicou Kuczynski.

O governante acrescentou que "a norma proíbe que (um funcionário público) gerencie interesses próprios ou de terceiros, mas os dividendos que um empresário recebe por parte de uma empresa são pela propriedade da mesma, não por sua gestão".

Kuczynski apontou que os depósitos da Odebrecht correspondem a uma porção minoritária dos investimentos da Westfield, entre 2004 e 2012, pois representam menos de 1% dos investimentos da empresa.

"Nunca participei das assessorias, nem realizei nenhum tipo de gestão de interesses quando fui ministro", reiterou.

No entanto, o presidente peruano acrescentou que "existe uma séria confusão entre o que significa gerir uma empresa e ser proprietário, o que proíbe (a Constituição) é gerir, não ser o proprietário".

Kuczynski afirmou no último domingo que não mentiu nem tentou ocultar consultorias da Westfield Capital à Odebrecht.

Nesse sentido, criticou hoje o fato de o pedido de destituição se sustentar em uma suposta mentira sua, o que significa "que não podem provar um crime ou ato de imoralidade que registre uma mínima seriedade".

"Nunca tive vínculo profissional com a Odebrecht, o teve a Westfield, que eu não geria nesses anos. Não tive relação comercial com a construtora e suas consorciadas", acrescentou.

Além disso, o presidente reiterou que não é sócio, nem executivo da empresa First Capital, propriedade de Sepúlveda, mas que realizou em 2012 uma assessoria financeira para o projeto H2Olmos, a pedido dessa companhia, quando não era funcionário público.

Depois de apresentar os seus argumentos, Kuczysnki deixou seu advogado Alberto Borea com a palavra para fazer a defesa legal do pedido de destituição.

Quando terminar a participação do letrado, o Congresso debaterá a moção durante cerca de seis horas e depois votará.

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