Os membros da oposição síria que se recuperam de seus ferimentos em Israel

Joan Mas.

Safed (Israel), 5 jan (EFE).- Farah, um miliciano da oposição síria de 22 anos, fala abertamente para um grupo de jornalistas do atendimento de saúde que recebe no Centro Médico Ziv de Safed, uma cidade da região da Galileia situada no norte de Israel.

O jovem cresceu em Quneitra, uma província do sul da Síria situada nas Colinas de Golã, que estão divididas entre a parte sob controle sírio e a região ocupada por Israel desde a guerra de 1967 e anexada posteriormente.

Israel e Síria são inimigos formalmente, e o Estado israelita garante que mantém uma política de não intervenção desde o estopim do conflito armado em 2011, mas não deixou de atacar alvos militares, sobre tudo da milícia xiita Hezbollah e outros grupos armados pró-Irã, que lutam ao lado do regime sírio de Bashar al Assad.

Israel foi acusado de apoiar grupos rebeldes para evitar que as forças governamentais controlassem a fronteira com o objetivo de bloquear a crescente influência iraniana, diante da reprovação das comunidades drusas sírias que ficaram em Golã sob controle israelita e cujas famílias vivem em sua maioria na vizinha Síria, em áreas controladas por Assad.

Em junho de 2015, uma centena de drusos desta região atacou uma ambulância militar israelita que transportava feridos sírios perto da vila de Magdel Shams, um incidente que provocou a morte de um deles.

Em sua política com o país vizinho, as autoridades israelenses não acolhem a população síria, nem oferecem a possibilidade de asilo, mas, desde 2013, desenvolve um programa de assistência médica para sírios que são atendidos nos hospitais de um estado oficialmente considerado inimigo.

"Desde então, recebemos mais de mil pessoas", contou à Agência Efe Yarden Izak, coordenador do Ziv, um dos hospitais da região da Galileia com pacientes sírios.

Segundo Izak, o centro de saúde atende às pessoas "sem perguntar quem é" nem "questionar sua origem ou seu passado".

"Damos tratamento médico por critérios humanitários a qualquer pessoa que entrar por nossas portas", comentou Izak, que acrescentou que alguns pacientes esclarecem se são combatentes ou civis, "mas isso depende do que eles querem contar".

Farah começou na guerra ainda muito jovem. Segundo contou à Efe, faz cinco anos que se juntou ao Exército Livre da Síria para lutar contra o regime do presidente Bashar al Assad.

No entanto, não saiu ileso de todos os enfrentamentos: recebeu um disparo na perna quando estava em combate que o feriu com gravidade. Para se curar, era necessário uma cirurgia e uma longa recuperação, por isso teve que deixar a Síria para receber tratamento médico em Israel.

O jovem combatente, que tem umas argolas metálicas em sua perna, explicou sua história em um quarto da seção de traumatologia e ortopedia do Centro Médico Ziv, reservada para pacientes sírios, onde se recupera de sua lesão.

Farah divide espaço com outro sírio, de 55 anos, que tem diabetes e teve uma perna amputada pelo agravamento de sua doença. Segundo os funcionários do hospital, uma prótese foi feita sob medida e ele logo voltará à Síria.

Na sala também está Saher, que sofre com outro ferimento grave na perna, um professor de 30 anos da oposição síria que trabalhava numa escola de Daraa, uma cidade rebelde no sudoeste do país. Como Farah, tem uma argola metálica em sua extremidade que levará vários meses para se recuperar.

Entre os pacientes do centro, somente 10% são mulheres e 17% crianças, enquanto o restante são homens adultos na faixa de idade ideal para o combate.

"Recebemos muitas pessoas com feridas de bombardeios", assinalou David Fuchs, chefe de enfermaria da seção traumatológica do hospital.

Os sírios que apresentam ferimentos ou doenças mais graves são transportados para o hospital pelo exército israelense, que decide na linha divisória de Golã quem entra no país para ser tratado em centros de saúde. "Uma vez que estão recuperados, são devolvidos à Síria", comentou Fuchs.

Saher soube do serviço médico "através de um amigo que já tinha recebido tratamento". O paciente comentou que, como não conseguiu entrar na Jordânia porque a fronteira estava fechada, a única opção que restou foi Israel.

Quando seu tratamento acabar, Saher deseja voltar à Síria e "continuar a luta" contra Assad, conta o paciente enquanto é vigiado por uma integrante das forças armadas de Israel e um guarda de segurança que acompanham aos jornalistas durante toda a visita.

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