Autor do massacre da Flórida sofria depressão, déficit de atenção e autismo

Miami, 19 fev (EFE).- O Departamento de Crianças e Famílias (DCF) da Flórida, nos Estados Unidos, publicará um documento sobre Nikolas Cruz, autor confesso do massacre de 17 pessoas em uma escola de Parkland na quarta-feira passada, no qual afirma que o jovem sofria depressão, déficit de atenção e autismo.

Em um caso aberto em setembro de 2016, o DCF qualificava Cruz como pessoa "vulnerável" com vários problemas mentais, o que levou os médicos a receitarem um ou mais remédios para essas desordens, segundo o relatório, informou nesta segunda-feira o jornal "The Miami Herald".

O advogado do DCF, John Jackson, pediu hoje à corte que publicasse o relatório sobre este caso de Cruz, de 19 anos, embora não revele se o departamento que representa tem outros documentos sobre o jovem, mas apenas que é o único desde que completou a maioridade.

Estes tipos de relatórios são confidenciais, mas tanto Jackson como o juiz que aprovou a sua publicação, Charles Greene, concordaram que, com seus atos, Cruz perdeu praticamente todo seu direito à intimidade, enquanto a defesa do jovem não se opôs a esta possibilidade.

Este relatório viria a fundamentar a postura da defesa de que as autoridades não deram atenção aos sistemáticos "pedidos de ajuda" de Cruz, de acordo com o advogado defensor Gordon Weeks.

Após confessar o crime, a dúvida que resta durante o processo judicial é se Cruz será sentenciado à pena capital ou prisão perpétua, e o estado da sua saúde mental será fundamental nesta decisão.

Durante os interrogatórios após o massacre, Cruz disse à polícia que escutou vozes na sua cabeça que lhe indicaram como cometer o ataque, vozes que foram descritas como "demônios", segundo informou a emissora "ABC News".

Depois que o DCF abriu este caso, o autor confesso do tiroteio na escola de ensino médio Marjory Stoneman Douglas perdeu sua mãe adotiva, após a morte anos antes do seu pai adotivo.

O jovem compareceu hoje perante outra juíza, Elizabeth Scherer, em uma audiência na qual se definiu que se tratou sobre o segredo de uma moção apresentada na sexta-feira passada pela defesa sem que se conheça o conteúdo da mesma.

O jovem, que permaneceu sem levantar o olhar da mesa e quase sem se movimentar, esteve acompanhado por seus dois representantes legais, que anteciparam sua intenção de pedir segredo para futuras moções.

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