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Mladic comparece à audiência de tribunal da ONU com camisa crítica à OTAN

10/07/2018 16h12

Haia, 10 jul (EFE).- O ex-líder militar sérvio-bósnio Ratko Mladic, condenado à prisão perpétua por genocídio e crimes de guerra, compareceu nesta terça-feira diante do Mecanismo para os Tribunais Penais Internacionais da ONU com uma camisa que tinha impressas as siglas da OTAN e um polegar apontado para baixo.

O Mecanismo tinha convocado uma audiência oral para tratar assuntos relacionados com o recurso de apelação solicitado pela defesa de Mladic, que será analisado em breve.

Logo após começar, o juiz Theodor Meron perguntou a Mladic se tinha algo a dizer sobre seu estado de saúde ou as condições da unidade de detenção onde se encontra, ao que o sérvio-bósnio respondeu levantando-se e tirando a jaqueta para exibir uma camisa criticando a OTAN.

"Estou me defendendo da OTAN por destruir meu país, matar meu povo e queimar as suas casas. Isto é um falso tribunal e não o reconheço", disse Mladic.

O juiz o interrompeu para recordar-lhe que "escutar discursos políticos sobre a OTAN " não era o objetivo da audiência oral, e lhe advertiu que não lhe deixaria continuar se persistisse com aquele comportamento.

O sérvio-bósnio respondeu então que sua saúde se deteriorou após sua detenção em 2011, pois deve tomar 13 remédios ao dia e passa a maior parte do tempo deitado na sua cela, devido a uma paralisia em metade do corpo.

"Só metade do meu cérebro funciona bem, mas mesmo assim funciona melhor que todas as mentes da OTAN juntas", acrescentou.

Depois, se dirigiu diretamente ao juiz Meron e lhe disse que sentia "pena" por ele porque "é um homem velho" e "tem que se justificar para a OTAN".

O magistrado não lhe deixou continuar e deu a palavra ao seu advogado, Dragan Ivetic, que mostrou dois exames de seu cliente para explicar como seu cérebro "se degenerou e está em risco", devido à paralisia de metade do seu corpo.

O advogado também afirmou que os médicos detectaram uma "forte arritmia" e um "sopro no coração" de Mladic.

No recurso de apelação, cuja audiência ainda não tem uma data estabelecida, a defesa solicitará a liberdade provisória do ex-líder militar sérvio-bósnio por motivos humanitários argumentando seus problemas de saúde.

O Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPII) condenou Mladic no ano passado a prisão perpétua por acusações: uma pelo genocídio de Srebrenica - enclave bósnio no qual foram assassinados pelo menos 8.000 muçulmanos - e nove por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos entre 1992 e 1995, durante o conflito da Bósnia.