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Empresa indiana cria relógio com GPS para ajudar a reduzir agressões sexuais

Relógio Safer Pro, que permite a mulheres enviarem localização e áudio para seus contatos em caso de agressão sexual - Noemí Jabois/Efe
Relógio Safer Pro, que permite a mulheres enviarem localização e áudio para seus contatos em caso de agressão sexual Imagem: Noemí Jabois/Efe

23/08/2018 10h03

Uma empresa indiana fundada por cinco engenheiros em 2015 recebeu US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 4 milhões) pelo prêmio XPRIZE por inventar um relógio que permite enviar a localização e um áudio ao vivo aos seus contatos sem a necessidade de um telefone, o que pode ajudar a reduzir as agressões sexuais.

Os cinco jovens decidiram utilizar seu forte, a tecnologia, para combater um problema que aflige a Índia, onde só em 2016 foram denunciados 38.947 estupros, segundo dados da Agência Nacional de Registro de Crimes (NCRB).

A trajetória da empresa Leaf  Wearables começou há três anos com o Safer  Smart  Jewellery, um colar com um botão camuflado que funciona com bluetooth e, ao ser pressionado, envia um sinal com a localização da vítima a seus contatos.

Depois veio o Safer Adicional, baseado na mesma tecnologia, mas muito menor e com bluetooth  BLE 4.0, a última versão naquele momento, explicou à Agência Efe um dos cofundadores da Leaf, Avinash  Bansal.

A empresa vendeu cerca de 10 mil unidades destes dois produtos na Turquia, Malásia, Estados Unidos e cerca de outros 15 países, afirmou Bansal.

No entanto, ao buscar a opinião dos clientes, se deram conta de que para melhorar o produto deveriam conseguir que este funcionasse "por si próprio", sem necessidade de um smartphone. E assim nasceu o Safer Pro, a terceira versão.

"Nós nos demos conta que a maioria das pessoas estava dizendo que a primeira coisa que o agressor vai fazer é pegar o telefone e quebrá-lo em pedaços", contou o cofundador.

Também foi comentado que, antes de serem atacadas, as potenciais vítimas tinham um amplo espaço de tempo, por isso a Leaf decidiu incorporar um segundo botão que inicia a transmissão de áudio ao vivo às pessoas que vão realizar o resgate, seja um contato ou a polícia. Desse modo, a vítima pode oferecer detalhes sobre sua localização para facilitar o resgate, como o apartamento do edifício no qual se encontra, algo que o GPS não é capaz de detectar.

Quanto ao design, a Leaf pretende fazer com que o aparelho possa ser colocado em pulseiras de diferentes cores e inclusive planeja colaborar com empresas de joalheria para poder oferecer pulseiras de metal a quem estiver interessado em possuir um produto "mais bonito".

"É o mais simples possível, você abre a tampa, põe um cartão SIM e está pronto para funcionar", afirmou Bansal, ao explicar que espera que o aparelho comece a ser comercializado no início de 2019 por US$ 40 (cerca de R$ 160) em sites de comércio eletrônico e também em lojas físicas.

"Estamos na fase final de teste do produto, a parte de engenharia está quase completa, agora estamos testando e estamos tentando fazer um lançamento global em quatro ou cinco meses", concluiu.

Graças à precisão da localização e à duração da sua bateria, de até 10 dias, os criadores do relógio ganharam o XPRIZE para a Segurança da Mulher, com um processo que começaram em 2016 e durante o qual foi preciso passar por diferentes etapas até comprovar em junho deste ano que seu produto era o melhor.

No entanto, a respeitada ativista e diretora do Centro Social de Pesquisa de Nova Délhi, Ranjana  Kumari, considera que este é só mais um passo e que o resgate da vítima é o verdadeiro problema. "Há diferentes tipos de mecanismos de segurança que surgiram, mas a dificuldade não é o processo de passar a informação. Quando a mulher informa, tem que haver uma patrulha policial que chegue ao local ou um familiar. Na maioria dos casos a polícia chega tarde", disse Ranjana.

Além disso, a ativista adverte que os números oficiais registrados pelo NCRB são apenas 20% dos estupros reais, já que a grande maioria das vítimas em zonas rurais não denuncia as agressões pela "vergonha social" ou sua pouca confiança quanto a haver justiça. A cada cinco casos de estupro, afirmou Ranjana, só um é denunciado.