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Paraguai pedirá para Brasil revogar status de refugiados de dois processados por sequestro

Governo de Mario Abdo Benítez (foto) pedirá ao Brasil que revogue os status de refugiados de Juan Arrom e Anuncio Martí - Pedro Ladeira/Folhapress
Governo de Mario Abdo Benítez (foto) pedirá ao Brasil que revogue os status de refugiados de Juan Arrom e Anuncio Martí Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Assunção

29/10/2018 17h09

O Paraguai voltará a solicitar ao Brasil a revogação do status de refugiados de Juan Arrom e Anuncio Martí, ex-dirigentes do Partido Pátria Livre (PPL) e processados pelo sequestro da esposa de um empresário em 2001, anunciaram fontes do governo paraguaio nesta segunda-feira (29).

A mudança de status facilitará a extradição ao Paraguai, de modo que ambos "prestem contas em relação à Justiça paraguaia", afirmou o ministro do Interior, Juan Ernesto Villamayor.

A decisão corresponde a ordens do presidente do Paraguai, Mario Abdo  Benítez, e exigirá a coordenação do Ministério das Relações Exteriores, do Poder Judiário e do Ministério Público, entre outras instituições.

"Vamos pedir ao Brasil a suspensão do status concedido a eles (em 2003) e vamos insistir com o pedido de extradição", ressaltou Villamayor.

Esta será a quarta tentativa do Paraguai para conseguir a extradição, embora desta vez existam "muitas expectativas favoráveis", de acordo com o ministro das Relações Exteriores, Luis Alberto Castiglioni.

O chanceler informou que trabalhará de forma conjunta com outras instituições do Estado para buscar a suspensão "do status inadequado" de Juan Arrom e Anuncio Martí.

"Não há apenas uma questão de acabar com a impunidade que esses dois criminosos usufruem, com o status de refugiado, também há uma questão de segurança nacional. Eles foram um pouco da raiz do (grupo armado) Exército do Povo Paraguaio (EPP), antes Pátria Livre", concluiu Castiglioni.

Martí e Arrom foram processados pela Justiça paraguaia pelo suposto envolvimento no sequestro de María  Edith  Bordón de Bernardi, esposa de um empresário paraguaio e nora do ex-ministro da Fazenda Enzo Debernardi. Ela foi liberada em janeiro de 2002, após o pagamento de US$ 1 milhão, segundo foi informado na época.

Pouco antes do julgamento, os dois homens desapareceram e foram libertados com sinais de tortura, um caso que resultou na renúncia de dois ministros, três chefes de polícia e na advertência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que pediu ao governo paraguaio, então presidido por Luis  González  Macchi, para que adotasse medidas cautelares para garantir a proteção de ambos.

O Brasil decidiu conceder aos dois a condição de refugiados políticos e a proteção para que residam livremente no território brasileiro.