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Tribunal do Hamas sentencia 6 palestinos à morte por colaboração com Israel

Adel Hana/AP
Nasser Suliman, chefe do tribunal militar, sentencia seis homens à morte por colaboração com Israel Imagem: Adel Hana/AP

03/12/2018 11h35

Um tribunal militar condenou seis palestinos da Faixa de Gaza à pena de morte por colaboração com Israel, revelou nesta segunda-feira um oficial do Ministério do Interior do território, que é governado 'de facto' pelo movimento islamita Hamas desde 2007.

As idades das pessoas condenadas oscilam entre 29 e 55 anos, e as sentenças determinam que três delas serão executadas por um pelotão de fuzilamento, enquanto as outras três deverão ser enforcadas.

Entre os condenados à morte há uma mulher de 55 anos, que foi sentenciada à revelia e, segundo fontes de segurança do Hamas, vive agora em Israel.

O tribunal militar também condenou outros sete palestinos a trabalhos forçados pela mesma acusação.

O Ministério do Interior da Faixa de Gaza não deu mais detalhes sobre a questão, nem apresentou mais informações sobre o envolvimento dos sentenciados por colaboração com as autoridades israelenses.

Há duas semanas, o Hamas deteve pelo menos três palestinos que supostamente colaboraram com Israel na operação de inteligência fracassada que desencadeou a última escalada de violência na região, a pior desde a guerra de 2014.

Há dez dias, as brigadas Ezedin al Qasam, a ala militar do Hamas, publicaram fotos de várias pessoas que supostamente participaram da mesma incursão israelense em Gaza.

O grupo armado divulgou em seu folheto as imagens de oito pessoas, duas mulheres e seis homens, aos quais acusou de participação na operação, divulgaram as fotos de um veículo e um caminhão que eles teriam usado, e pediram aos moradores de Gaza que proporcionassem qualquer informação que tivessem sobre as pessoas supostamente envolvidas.

A operação israelense fracassada foi realizada por uma unidade especial do exército, e segundo publicaram recentemente vários veículos de imprensa, os membros desta teriam se passado por trabalhadores humanitários empregados na Faixa, um extremo que Hasem Qasem, porta-voz do Hamas, negou hoje à Agência Efe.

"Essas afirmações causam confusão nos moradores de Gaza e debilitam o papel das ONGs, que fornecem todo tipo de ajuda humanitária à população da Faixa", lamentou Qasem.

Os detidos por colaboração com Israel são julgados em cortes militares, controladas pelo Hamas.

De acordo com a Lei Básica da Palestina, a pena capital só pode ser executada com a aprovação do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que até o momento não ratificou nenhuma.

No entanto, o Hamas realizou execuções anteriormente seguindo as sentenças judiciais e sem esperar pela autorização presidencial, já que não reconhece a autoridade de Abbas, que foi eleito em 2005 para um período de cinco anos.