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Especialistas acreditam que investigação na Nicarágua pode chegar até Ortega

21/12/2018 22h12

Washington, 21 dez (EFE).- O Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI), que deixou a Nicarágua por ordem do governo, avaliou nesta sexta-feira que as investigações sobre as violações aos direitos humanos durante os protestos no país podem chegar até o presidente Daniel Ortega.

"Uma investigação séria não pode deixar de considerar a responsabilidade nos fatos, em primeiro lugar, do presidente do país, Daniel Ortega, por ser comandante supremo da polícia", afirmou Pablo Parenti, um dos especialistas do grupo.

Integrante da missão que investigou a violenta repressão aos protestos contra Ortega, que começaram em abril, Parenti explicou que o presidente é a maior autoridade do comando institucional da Polícia Nacional, não somente o responsável político da entidade.

"Não há dúvida que o principal protagonista da repressão na Nicarágua foi a Polícia Nacional. As ações responderam a ordens que vieram das mais altas esferas do órgão. As evidências são muito abundantes de que não foram eventos isolados", explicou.

Segundo o especialista, os casos de violência se repetiram ao longo de todo o período investigado pelo GIEI, continuando muito além de maio, mês em que se encerrou o trabalho do grupo.

"Obviamente, quando uma instituição atua dessa maneira quer dizer que os chefes deram essas ordens ou, pelo menos, não impediram que isso ocorresse", afirmou o especialista.

Segundo o grupo de analistas, que pesquisaram os incidentes de violência na Nicarágua entre 18 de abril e 30 de maio. Durante o período, 109 pessoas morreram - 95 delas por armas de fogo - e mais de 1,4 mil ficaram feridas. Além disso, 690 foram presas.

No documento apresentado hoje em Washington, o GIEI recomendou que a Nicarágua ratifique o Estado de Roma, que criou o Tribunal Penal Internacional (TPI), para garantir que os crimes contra a humanidade não fiquem impunes. EFE