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Assassino de turistas nórdicas no Marrocos estava sob vigilância, diz jornal

28/12/2018 10h51

Rabat, 28 dez (EFE).- O principal acusado do crime terrorista contra as duas turistas escandinavas que foram decapitadas em uma região montanhosa do Marrocos estava sob a vigilância das autoridades, informou nesta sexta-feira o jornal "Ahdaz Magrebiya".

A publicação indicou que o principal suspeito - A.J. - era conhecido pelas forças de segurança e foi condenado em 2013 a dois anos de prisão por tentar viajar para a Síria para fazer a jihad e se incorporar ao grupo terrorista Estado Islâmico.

A mesma fonte acrescentou que o principal acusado se deslocava pelas pequenas aldeias do entorno da cidade de Marrakech e tentava - sem sucesso - se transformar em um imã nas pequenas mesquitas destas localidades com o objetivo de doutrinar e recrutar a possíveis jihadistas.

O principal acusado aparece, junto com outros três, em um vídeo gravado poucos dias antes de assassinato das duas turistas jurando lealdade ao Estado Islâmico. A autenticidade da gravação foi confirmada pelo Ministério Público marroquino.

Fontes de segurança próximas do caso disseram anteriormente à Agência Efe que há 19 pessoas detidas por relação com o duplo assassinato, e quatro delas são os principais acusados de terem decapitado a dinamarquesa Louisa Vesterager Jespersen (de 24 anos) e a norueguesa Maren Ueland (de 28), no dia 17 de dezembro no vale de Imlil, no Alto Atlas, uma região conhecida pelo turismo de montanha.

Os outros 15 suspeitos foram detidos em diferentes cidades do país (Esauira, Chtouka ait Baha, Marrakech, Casablanca, Sidi Benur e Tânger) na medida em que as investigações avançavam sobre o seu possível envolvimento e as ramificações do grupo.

As mesmas fontes assinalaram que um primeiro grupo de suspeitos comparecerá em uma audiência diante do promotor competente antes do fim do ano, coincidindo com o fim do período de custódia policial.

O ministro do Interior do Marrocos, Abdeluafi Laftit, garantiu na última segunda-feira no parlamento que o crime terrorista contra as duas turistas escandinavas foi "um ato isolado" cometido por "lobos solitários".

Por outro lado, fontes judiciais informaram hoje à Efe que um marroquino foi condenado ontem pelo Tribunal de Primeira Instância de Al Hoceima (nordeste) a um ano de prisão por incitação ao terrorismo.

O condenado, de 36 anos, comentou em seu perfil no Facebook que os terroristas não deveriam ter assassinado as duas turistas escandinavas, mas o primeiro-ministro marroquino, Saadeddine Othmani.

Após o crime contra as duas turistas escandinavas vir à tona, todo o país, a classe política e a sociedade civil condenaram vigorosamente o ato terrorista e se multiplicaram as manifestações de solidariedade em homenagem às duas vítimas. EFE