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Minas Gerais já registra 34 mortes após rompimento da barragem da Vale

26/01/2019 20h07

Carlos Meneses e Alba Santandreu.

Brumadinho (MG), 26 jan (EFE).- A catástrofe causada pela ruptura de uma barragem da mineira Vale na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, já deixa um balanço de pelo menos 34 mortos e cerca de 300 desaparecidos, enquanto as equipes tentam encontrar mais sobreviventes no meio da lama e da chuva.

O presidente Jair Bolsonaro sobrevoou de helicóptero neste sábado a área atingida e disse que o seu governo "cobrará justiça" para "prevenir novas tragédias" como a de ontem e a ocorrida há três anos em Mariana, com caraterísticas similares e que deixou 19 pessoas mortas. Ele disse que já aceitou a ajuda oferecida por Israel nos trabalhos de resgate.

No meio da comoção e de um vaivém de números sobre desaparecidos e resgatados, os bombeiros mantêm as esperanças de achar mais pessoas com vida, apesar de o número de vítimas ter passado de 11 para 34 em questão de horas. As autoridades não informaram se entre os 34 falecidos estão os ocupantes de um ônibus encontrado entre o lamaçal e no qual viajavam alguns funcionários que não sobreviveram.

"Está todo mundo desolado. Ainda não há informações sobre quem está vivo, quem está morto e fica essa ansiedade enorme. Ninguém sabe o que vai acontecer e a espera é muito angustiante", disse à Agência Efe André Luis Dutra, psicólogo voluntário, de 34 anos e que também trabalhou no desastre de Mariana.

Dutra se encarrega de transmitir aos familiares um "pensamento positivo" e a ideia de que "por mais que as possibilidades de sobreviver sejam pequenas, é preciso se apegar a isso". Para ele, o que aconteceu em Brumadinho "não é um acidente, é uma negligência e um crime".

"Quantas pessoas têm que morrer mais para que as autoridades tomem alguma providência?", questionou ele, que alertou que existem barragens similares em Minas Gerais que são verdadeiras bombas-relógio.

Perto de Dutra estava Giovani de Oliveira, de 22 anos, procurando um amigo de infância que trabalhava há cinco meses no local.

"As pessoas não têm noção do que está ocorrendo", disse.

A sociedade civil também se mobilizou e ONGs de Minas Gerais criaram o grupo "SOS Brumadinho" através do qual estão coordenando a entrega de material de higiene, água e alimentos não perecíveis.

Para facilitar o acesso às vítimas e a chegada dos recursos, as autoridades de Minas Gerais decretaram luto oficial de três dias e o estado de calamidade pública no município de Brumadinho, que abriga a poucos quilômetros da barragem o grande museu ao ar livre de Inhotim.

Com o drama ainda não dimensionado, a Justiça bloqueou R$ 6 bilhões das contas da Vale para assistência às vítimas e mitigação das consequências da catástrofe. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por sua vez, aplicou multa de RS$ 250 milhões pelo desastre, segundo confirmou o ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, que também visitou a região afetada.

O presidente da maior produtora de minério de ferro do mundo, Fabio Schvartsman, pediu desculpas pelo ocorrido e destacou que Vale é uma empresa séria e que se esforçou para deixar as barragens da melhor forma possível depois do desastre de Mariana, em 2015.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou após visitar a região que o Ministério Público atuará firmemente para que os riscos sejam prevenidos e que esse tipo de tragédia não se repita. EFE