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Alívio e cautela entre servidores após fim de paralisação do governo dos EUA

28/01/2019 19h45

Alfonso Fernández.

Washington, 28 jan (EFE).- Centenas de milhares de servidores federais que ficaram sem receber devido à paralisação parcial do governo dos Estados Unidos voltaram nesta segunda-feira ao trabalho, apesar dos temores de que a situação se repita em três semanas.

Após o fim do "shutdown" mais longo da história do país, o centro de Washington voltou ao normal, com dezenas de milhares de pessoas atuando nos escritórios do governo federal.

"Bem-vindos outra vez. À medida que reabrimos, expresso minha admiração e agradecimento mais profundo a toda a família do Smithsonian pela coragem e paixão pelo serviço público", disse David Skorton, diretor do Smithsonian Institute, que reúne quase 20 museus públicos da capital americana, em mensagem divulgada pelo Twitter.

Durante os 35 dias da paralisação, os servidores federais tiveram que fazer muitas contas para lidar com a falta de salários. O chefe de gabinete interino da Casa Branca, Mick Mulvaney, disse à "ABC" que parte dos valores será quitada no início desta semana, mas que algumas pessoas podem receber o dinheiro devido só na sexta-feira.

Além da falta de dinheiro, agora eles precisam lidar com a quantidade de trabalho acumulado. Por isso, algumas agências já protejam uma demora para regularizar o ritmo de funcionamento.

Outra preocupação está no aspecto político. O projeto de lei assinado pelo presidente do país, Donald Trump, na última sexta-feira só garante financiamento para os órgãos afetados pela paralisação por três semanas. E não há perspectiva de acordo entre democratas e republicanos para aprovar um orçamento definitivo.

O novo limite para as negociações, portanto, é 15 de fevereiro.

"É estúpido. Por que vamos abrir por três semanas e depois eles farão isso de novo?", questionava Towanna Thompson, funcionária do Departamento de Interior, em entrevista à rádio pública "NPR".

O próprio Trump é pessimista em conseguir até a nova data um acordo com os democratas, que se negam a incluir no orçamento os US$ 5,7 bilhões exigidos pelo presidente para construir um muro na fronteira com o México.

"Pessoalmente acho que (a chance) é de menos de 50%", afirmou Trump em entrevista ao "The Wall Street Journal".

Pressionado pelos democratas e por protestos dos servidores contra a paralisação, Trump cedeu na semana passada e assinou um projeto de lei orçamentária para financiar o governo por três semanas. A proposta não inclui recursos para o muro.

A paralisação parcial do governo dos EUA provocou perdas de US$ 11 bilhões à economia americana, de acordo com um relatório divulgado nesta segunda-feira pelo Escritório de Orçamento do Congresso (CBO). Do valor, US$ 3 bilhões são considerados como "não recuperáveis".

"Embora a maior parte do Produto Interno Bruto (PIB) real perdida durante o quarto trimestre de 2019 e o primeiro de 2019 possa ser recuperada, estimamos que US$ 3 bilhões não serão", afirmou o diretor do CBO, Keith Hall, em comunicado. EFE

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