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Opositores iniciam protesto para exigir fim da "usurpação" de Maduro

30/01/2019 15h41

Caracas, 30 jan (EFE).- A oposição venezuelana iniciou na tarde desta quarta-feira uma jornada de protestos rápidos em todo o país para exigir a "cessação da usurpação" que, segundo consideram, Nicolás Maduro faz da presidência e reivindicar o fim da urgente crise pela qual responsabilizam o líder chavista.

A manifestação, prevista para entre 12h e 14h (horário local, 14h e 16h de Brasília), foi convocada no domingo passado pelo líder do parlamento, Juan Guaidó, que há uma semana se autoproclamou presidente em exercício do país, o que disparou a tensão política na Venezuela.

A Agência Efe pôde constatar que no leste de Caracas, um território considerado bastião do antichavismo, os protestos eram moderados e a rotina seguia seu curso.

Mas, no centro da capital, onde os bairros são mais pobres, várias centenas de pessoas se concentraram nos arredores do Hospital J.M. de los Ríos, que atende crianças e adolescentes, enquanto cantavam palavras de ordem contra Maduro e levantavam cartazes que denunciavam a "crise humanitária" que assola o país.

"Estava de passagem, mas parei aqui porque na Venezuela estamos todos morrendo de fome, os governistas e os não governistas", disse à Efe o aposentado Armando Castillo.

O homem, de 62 anos, acrescentou que o país atravessa uma grande "incerteza" porque Maduro "não deixa de soltar" o poder, enquanto Guaidó ainda não o exerce de forma plena.

Este protesto é vigiado por uma dezena de membros da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), a quem os manifestantes tentaram entregar há poucos dias o texto de uma lei da opositora Assembleia Nacional que garante a "anistia" e reinserção dos agentes que derem as costas a Maduro.

A Efe testemunhou que os oficiais não aceitaram as cópias da lei e que se negaram a dialogar com os manifestantes, que não cortaram a rua, mas ocuparam um dos canais da calçada e receberam o apoio, em forma de toques de buzina, de quem transitava em veículos e motocicletas.

Este protesto faz parte da pressão que o antichavismo exerce sobre Maduro para afastá-lo do poder, depois de ter assumido há 20 dias um novo mandato de seis anos.

Maduro venceu com tranquilidade os pleitos antecipados de maio do ano passado, dos quais não participou o grosso da oposição por ter seus principais partidos e políticos inabilitados e por considerá-los fraudulentos.

O antichavismo afirma, por isso, que o segundo mandato de seis anos de Maduro é "ilegítimo", razão pela qual o Executivo recai no líder do parlamento até que sejam convocadas novas eleições, segundo a interpretação que fazem de alguns artigos da Constituição. EFE