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Jornalistas palestinos detidos pelo Hamas em protestos em Gaza são libertados

18/03/2019 09h16

Gaza, 18 mar (EFE).- Sete jornalistas palestinos foram libertados nesta segunda-feira após terem sido detidos na noite de ontem pelas forças policiais do movimento islamita Hamas nos recentes protestos em Gaza contra a pobreza no enclave, controlado de fato pelo grupo palestino e sob bloqueio israelense desde 2007.

Os corpos de segurança acusaram os repórter de incitar a violência na rua e de serem recrutados pela Autoridade Nacional Palestina (ANP) para desestabilizar a situação através da publicação de vídeos nas redes sociais, informou o Sindicato Palestino de Jornalistas, que participou da mediação para conseguir a libertação dos repórter.

Além disso, vários ativistas denunciaram pelas redes sociais que vários manifestantes seguem detidos e que há muitas pessoas que recebem tratamento médico pelos ferimentos causados pela resposta dos corpos policiais durante as manifestações.

Os recentes protestos na Faixa se repetiram desde quinta-feira passada no enclave litorâneo, quando começaram as mobilizações populares, e durante o fim de semana chegaram até a cidade de Gaza, depois de ser apoiado em vários campos de refugiados.

O avanço das manifestações é narrado em redes sociais como Twitter, que foi a plataforma utilizada pelos convocantes, um grupo de jovens e ativistas digitais chamados "Queremos viver", não vinculados a nenhuma formação política, para fazer uma chamada contra os altos impostos e o encarecimento da vida no enclave.

O grupo pede que não haja mais impostos de alimentos, tabaco e roupa porque estes "estão esgotando os pobres cidadãos que sofrem com a pobreza e o desemprego".

Além disso, condenou as recentes detenções e ataques das forças de segurança do Hamas contra os manifestantes, jornalistas e ativistas pelos direitos humanos, apontando que os protestos são "totalmente pacíficos".

As possibilidades do desenvolvimento econômico de Gaza se limitaram nos últimos anos sob o controle islamita, o bloqueio israelense reforçado pelo fechamento intermitente da fronteira egípcia (a única que não passa por Israel), três operações militares de grande envergadura e a divisão política com o partido Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, que se traduziu em sanções econômicas.

A Faixa de Gaza está cada vez mais pobre e os manifestantes reivindicam mais oportunidades para uma população de mais de dois milhões de pessoas que viu como o índice de desemprego subiu até 52%, e que tem uma renda diária per capita que não superam US$ 2. EFE